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Aprenda como vencer o medo de agulhas

Iris Costa e Silva, 3 anos, quase 2 com diabetes, começou o tratamento de diabetes misturando dois tipos de insulina, uma com comportamento intermediário e outra com ação mais rápida. Sua mãe Shyrlene Costa preferia utilizar seringas pois podia misturar os dois tipos de insulina, como havia pedido o médico no café da manhã.

Shyrlene conta “foi muito difícil realizar o tratamento no início, pois Iris chorava muito por ter medo e sentir dor ao aplicar a insulina. Eu sentia muito medo e muitas vezes o tratamento era comprometido por não querer que aplicássemos o hormônio nela”.

Segundo Glaucia Margonari Bechara, psicóloga da ADJ Diabetes Brasil, “o tratamento do diabetes se inicia com o seu diagnóstico e diferentes cuidados são implementados na rotina da pessoa repentinamente. A aplicação de insulina e os exames de glicemia capilar são essenciais e o medo de agulhas faz o processo ficar muito mais doloroso”.

“Na maioria das vezes, as pessoas têm o medo de agulhas porque o momento “apavorante” da aplicação da insulina vai sendo transferida de pais para filho e sendo incorporada pela própria pessoa. Há casos em que o indivíduo se remete às lembranças da doença e de seus cuidados, ou ainda a lembrança de algo traumatizante, dependendo do caso de cada um. O medo de agulha vem nos dizer que algo não está indo bem e é necessário investigar o que acontece e quais são as fantasias que levam a pessoa ao intenso medo de agulhas”, complementa Glaucia.

“O medo acaba sendo recorrente em crianças porque o mundo da fantasia se mistura com a realidade e muitas vezes vem acompanhada de dor nas aplicações. As reações mais observadas são a necessidade de lutar ou fugir de uma realidade. É importante que o momento da aplicação da insulina seja tranquilo, e com muita paciência por parte dos pais. A conversa e a aproximação do mundo da criança são fundamentais para transmitir a ela que a insulina passa a ser um “amigo de todos”. Por isso é muito importante que os pais saibam auxiliar a aplicação de insulina corretamente pela conversa com os profissionais de saúde e tentem responder todas as perguntas da criança para trazê-la mais para o real”, relata Glaucia.

Por isso, Shyrlene, após a consulta com uma psicóloga, compreendeu a importância de fazer com que Iris participasse do tratamento ativamente. Para isso, sempre pergunta que local é melhor para aplicar e deixa a menina pegar na caneta e brincar com a tampinha. Hoje realiza o tratamento de forma correta, sem Iris ter mais medo.

Glaucia comenta, “nos casos de adolescentes, diferentes dos adultos, frente a uma nova realidade, não têm medo de errar se fracassam, tentam de novo, e com isso, aprendem e se desenvolvem com rapidez. O papel dos pais é muito importante na adesão ao tratamento, mas, é necessário que os mesmos pensem o porquê é difícil se desvencilhar do medo dos filhos e perguntar a si mesmos: Eu ajudo meu filho ter autonomia ao se autoaplicar”?

Após o enfrentamento do medo de agulhas, é fundamental que o adulto ou a criança tenha melhora da autoestima com a possibilidade de perceber que consegue superar suas dificuldades, pelo contato real com esta dificuldade e ganhe a autonomia no tratamento, dependendo da idade. Nada melhor do que nos livrarmos do sentimento de dependência e perceber que a vida flui com novas oportunidades.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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