Home / Consumidores / Depoimentos / “Aprender a lidar com os altos e baixos da doença desde criança me ensinou a não me abater pelas adversidades e me tornou a pessoa que sou hoje”. Conheça o perfil da Dra. Ana Elisa Alcântara!

“Aprender a lidar com os altos e baixos da doença desde criança me ensinou a não me abater pelas adversidades e me tornou a pessoa que sou hoje”. Conheça o perfil da Dra. Ana Elisa Alcântara!

A importância da Medicina em minha vida

Dra Ana

Meu nome é Ana Elisa Evangelista Alcântara, nasci em Fortaleza, tenho 37 anos e desde os nove, fui diagnosticada com diabetes mellitus tipo 1. A doença foi descoberta pelos clássicos sintomas: sede intensa, urina em abundância, muita sonolência após as refeições, rápido emagrecimento que chamaram a atenção dos professores da escola. Após conversarem com minha mãe, ela imediatamente entrou em contato com meus dois tios que são médicos e eles me encaminharam a um especialista que, ao medir a minha glicemia, o resultado foi tenso – estava com 390 mg/dl. Apesar do susto inicial, fui tratada pela endocrinologista Dra. Adriana Forte, que me deu toda a orientação necessária para que eu aderisse ao tratamento e tornasse a minha vida mais leve. E assim os anos foram passando, com muita disciplina na alimentação, que sempre fiz questão que fosse balanceada e na prática regular de atividade física. Como consequência dos cuidados, nunca precisei ser internada, nem mesmo tive episódios de hiperglicemia ou hipoglicemia, que não pudessem ser por mim ajustados.

Quanto à escolha profissional, fui levada naturalmente pela curiosidade em aprender as coisas; me encantei quando descobri a biologia, especialmente a humana. Todos achavam que acabaria seguindo o magistério, pois meus pais são professores universitários e desde pequena os acompanhava assistindo a suas aulas. O fato de ter diabetes nem estimulou, nem limitou a minha escolha – acho que a Medicina foi a opção mais correta para o meu perfil e a endocrinologia foi abraçada pelo meu interesse em tratar pacientes com doenças crônicas.

Na época, estava inclinada em me especializar em oncologia, mas no decorrer do trajeto profissional me deparei com muitos pacientes que tinham diabetes e apresentavam dificuldades em falar no assunto e, portanto, mereciam atenção, informações e melhora na qualidade de vida. Lembro-me de uma experiência vivida com uma paciente que tinha diabetes e estava completamente desmotivada e desiludida, achando que quem tem a doença estaria impossibilitada de fazer qualquer coisa. Perguntei a ela se realmente era esse o conceito que fazia sobre a doença? Ela respondeu que sim. Pois bem, me enchi de coragem e disse: A senhora acha que ter diabetes impede uma pessoa de ter filhos, constituir família, ter uma boa qualidade de vida e ser médica? Ela disse que isso tudo seria impossível. Então eu disse, a senhora está conhecendo uma. Naquele momento, percebi que a paciente me olhou com uma mescla de espanto e admiração. Para a minha surpresa, ela se apresentou nas consultas subsequentes totalmente transformada; estava com outra aparência! Muito mais arrumada ao se trajar e visivelmente mais motivada para mudança no estilo de vida quer na alimentação e exercícios físicos. Esse foi o estímulo que faltava para escolher a endocrinologia como especialidade, a qual foi realizada na Universidade de São Paulo. Percebi que pude ser útil não só como médica, mas como exemplo vivo de que ter uma doença crônica não restringe ninguém a alcançar os sonhos e os ideais de vida. Aprender a lidar com os altos e baixos da doença desde criança me ensinou a não me abater pelas adversidades e me tornou a pessoa que sou hoje!

Uso bomba de insulina desde 2011. Demorei a aceitar a sua utilização devido apresentar uma hemoglobina glicada bem controlada (6,8 / 6,9mg/dl) e pelo fato de ir à praia frequentemente, não gostaria de me expor com o equipamento; as pessoas nos olham com piedade, e este sentimento nunca quis despertar em ninguém. Quando estava atuando na Clínica Médica, comecei a me convencer de que seria interessante uma mudança de tratamento, porque comecei a ter muitas oscilações glicêmicas, época em que atendia no Pronto Socorro; comecei a ter muita hipoglicemia de madrugada, morava sozinha e me tornei insegura com isso. De fato, o uso da bomba de infusão de insulina foi a melhor escolha que podia ter feito; trouxe um controle mais “fino” das oscilações e com isso, mais segurança, principalmente agora que estou à espera de um bebê, que na verdade terá o nome de Laura, que, com certeza, também será beneficiada.

Quanto aos meus sonhos, não penso na cura, principalmente do diabetes tipo1, por envolver uma grande complexidade de fatores. Sonho sim com uma maior acessibilidade de tratamento, envolvendo uma equipe multidisciplinar de qualidade para todos, que seja o melhor possível a um baixo custo!

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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