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“As crianças com diabetes são especiais e mais resilientes, aguentando o “tranco” e nos ensinam todos os dias”! Confira o depoimento de Silvia Espinelli

Aceite o diabetes e dará o primeiro passo para o seu equilíbrio

Silvia Espinelli

Silvia e Beatriz 2

Era verão de 2009 e achava que a quantidade de água que ela bebia e o grande número de vezes que ia ao banheiro eram devido ao calor intenso. Porém, ela estava febril e a levei ao pronto atendimento. Inflamação nas amigdalas foi descartada, mas havia suspeita de uma possível infecção urinária e, prontamente, a médica requisitou um exame de urina, no qual foi constatada a presença de glicose. Fizeram um dextro e foi pedida a sua internação devido à cetoacidose. Sim, minha filha, a Beatriz Espinelli Juliá, de apenas três anos de vida estava com diabetes!

Ficamos atordoados, não acreditávamos em tudo o que estava ocorrendo com ela, eu nem sabia que existia o diabetes mellitus tipo 1. Aos poucos, com o passar dos dias, fomos nos acalmando e entendendo a doença mediante a busca por informações. Houve mudança no nosso estilo de vida – nossa alimentação ficou mais saudável e passamos a fazer caminhadas, chegando até mesmo ir ao trabalho a pé.

No final de 2016, após o seu retorno do acampamento da ADJ, a Beatriz nos pediu para fazer um test drive para o uso da bomba de infusão de insulina e concordamos. Foi surpreendente essa experiência! O controle das hipoglicemias ficou muito melhor, pois as micro doses de insulina ficaram bem ajustadas. Sem falar que as aplicações com a caneta eram muito doloridas e solucionou esse desconforto com a bomba. Aplicamos o cateter a cada três dias e isso promove uma melhora na qualidade de vida indescritível.

Importante ainda relatar, que a presença do sensor no equipamento, nos ajuda informando as baixas previstas e essa comodidade nos trouxe mais segurança e conforto. Vivíamos noites de muito medo e apreensão!

Conscientes de que o diabetes é uma doença crônica e que, portanto, estabeleceremos uma relação de convivência por toda a vida, em contrapartida, também aprendemos muito com ela. Ficamos mais disciplinados e menos angustiados. Sabemos que não temos o controle de tudo, que devemos viver um dia de cada vez e que o equilíbrio não se consegue apenas com a alimentação saudável, a prática regular de atividade física e no uso correto da medicação. O controle ideal inicia na nossa cabeça em aceitar essa condição, embora haja questionamentos…

Fazendo uma retrospectiva dos nove anos em que minha filha Beatriz convive com a doença, posso dizer que passado o susto inicial com o medo do desconhecido, a angústia e a ansiedade foram vencidas ao constatar que o diabetes não incapacita ninguém. Eu como mãe posso dizer que gostaria que fosse comigo, porém por algum motivo que ainda não posso explicar, aconteceu com ela e sem dúvida, as crianças com diabetes são especiais, elas são mais resilientes, aguentando o “tranco” e nos ensinam todos os dias…Ainda me lembro no início do diagnóstico quando ainda precisávamos aplicar várias doses, furando o dedinho dela dez vezes ao dia, pensava comigo, como é forte essa menina! Ela aceitou tudo muito mais rápido do que eu, e a partir de então, entendi que o diabetes veio e que não podemos deixar que ele nos vença. A insulina representa a vida que minha filha precisa, vamos seguir em frente até a cura chegar…e acreditem, ela vai chegar!

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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