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Brinquedos Terapêuticos

Experiência com Brinquedos Terapêuticos

*Rebecca Ortiz La Banca

Little toddler boy and girl playing with model car collection on the floor. Transportation and rescue toys for children. Toy mess in child room. Many cars for little boys. Educational games for kids.

A primeira pesquisa com o BT e o diabetes mellitus tipo 1 foi objeto do meu Trabalho de Conclusão de Curso realizado na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), cujo objetivo era conhecer a vivência de crianças na faixa etária de seis a doze anos de idade com diabetes tipo 1 e para isso foi utilizado o Brinquedo Terapêutico Dramático, estratégia lúdica usada também para entrevistas em pediatria. Os resultados desse estudo foram publicados na Revista de Enfermagem da UFPE em 2015 (link: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/download/10692/11754).

Há três anos aplicamos o BT no acampamento NR-ADJ, aos 80 jovens participantes da temporada. As sessões podem ser feitas individualmente ou em grupo, dependendo da experiência do profissional em conduzir a dinâmica.

Mediante pesquisas qualitativas, a técnica mostrou ser a forma de intervenção que promove o entendimento apropriado da criança sobre sua doença, pois se utiliza de uma linguagem ideal para cada idade, que é o brincar. Existem ainda estudos sobre a sua aplicação que visa o preparo de crianças e adolescentes a procedimentos invasivos, os quais também demonstraram resultados positivos na redução da ansiedade.

O método pode também ser usado em crianças com diabetes para promover maior adesão ao tratamento, pois através dos bonecos elas têm maior autonomia na demonstração do que sabem e, além disso, se o profissional usar a sua modalidade dramática para entender como os pequenos experenciam o tratamento, pode traçar as necessidades e metas com a família.

Além de promover a adesão ao tratamento, esse método terapêutico pode contribuir para o entendimento de necessidades, já que é uma forma de entrevista lúdica e assim permite que os pequenos expressem de forma espontânea como lidam com a doença, promovendo uma catarse, ou seja, liberam emoções encarceradas, o que difere de um questionário ou entrevista comum.

Os profissionais, que tiverem interesse em implementar o BT em sua prática, precisam ser capacitados para conduzir as devidas sessões e saber interpretá-las. Temos exemplos do uso da técnica em ambulatórios, unidades de internação e de terapia intensiva, acampamentos, consultórios, visita domiciliar e campanhas de saúde. Sugiro que entrem em contato com profissionais que a utilizam de forma sistematizada. O Grupo de Estudos do Brinquedo (GEBrinq) da UNIFESP é um excelente exemplo e pode ser contatado pelo e-mail gebrinq@gmail.com

Sou enfermeira, pesquisadora e educadora em diabetes. Sonho com o dia em que todos os centros de diabetes tenham profissionais capacitados para implementar a técnica no atendimento à criança e ao adolescente e com isso, prestar assistência humanizada aos pequenos. Para isso, precisamos nos unir e disseminar o uso do BT nas universidades, hospitais e centros de saúde. As pessoas precisam conhecer a técnica e se apaixonar, assim com o nosso grupo da UNIFESP, para que o brincar seja a linguagem universal de comunicação da saúde da criança.

A ADJ Diabetes Brasil fez uma parceria com a Roche e está alinhada com esta mesma proposta. Para isso, criou o Didi e a Bete, brinquedos que ajudam as crianças a expressarem como gostariam de ser tratadas, suas dificuldades em relação à doença e principalmente a se educarem sobre os cuidados necessários para viver bem com o diabetes, aderindo ao tratamento de forma lúdica.

Para saber mais sobre estes bonecos, acesse: http://www.adj.org.br/leitura-conteudo/00000314/M00004

 

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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