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Carboidrato X Gordura! Qual a melhor opção?

Carboidratos ou Gorduras – Quem são os verdadeiros vilões?

carboidratos

Caros leitores, tentaremos nessa matéria elucidá-los sobre um estudo denominado PURE, publicado no periódico médico The Lancet, em agosto de 2017, que avaliou a responsabilidade da composição da nossa alimentação em trazer resultados deletérios à saúde como problemas cardiovasculares, acidente vascular encefálico (AVC) e até mesmo morte.

Para a realização do estudo, pesquisadores selecionaram pessoas entre 35 e 70 anos de idade em 18 países (incluindo o Brasil) e aplicaram um questionário para saber o que comiam e assim, chegaram a 130 mil indivíduos, que foram acompanhados por sete anos. Após esse período, os cientistas perceberam que o maior consumo de carboidratos aumentou o risco de morte por qualquer causa em 28% e o maior consumo de gordura, independentemente do tipo, foi associado a um risco 23% menor de morte por qualquer causa. As gorduras e os carboidratos não foram culpados por problemas cardiovasculares. Para surpresa dos pesquisadores, o risco de AVC foi menor nos indivíduos com maior consumo de gordura saturada. Se lermos superficialmente a pesquisa, vamos entrar em parafuso, ou seja, tudo o que os nutrólogos e nutricionistas preconizaram até o momento como “alimentos saudáveis” cai por terra! Devemos então comer muita gordura e pouco carboidrato para sermos saudáveis? Claro que não!

Analisando melhor a pesquisa, estudiosos no assunto encontraram muitas falhas no estudo, a começar pelo “maior consumo” tanto de gordura quanto de carboidratos. No caso das gorduras, a ingestão máxima foi de 35,3%, dentro do considerado apropriado (20 a 35%) e a de carboidratos foi de 67,7%, considerada deletéria, estando acima do considerado apropriado para as diretrizes (45 a 65%). Além disso, quando se fala em carboidratos, temos de associar açúcar, massas, pães, assim como cereais integrais, frutas e vegetais. O estudo não faz essa diferenciação. Quanto às pessoas que morreram, será que comiam muitos cereais integrais ou consumiram refrigerantes em excesso?  Esse foi um dos questionamentos feitos no artigo O que é melhor para a saúde: gordura ou carboidrato? Visão do médico sobre o estudo PURE. Para ler na íntegra, acesse:

http://www.diabetes.org.br/publico/tribuna-livre/1625-o-que-e-melhor-para-saude-gordura-ou-carboidrato-visao-do-medico-sobre-o-estudo-pure

A cada dia, mais estudos são publicados e se não forem perfeitamente entendidos, causam muita polêmica, confundindo a população nas suas escolhas. Pensando nisso, pedimos ao endocrinologista Dr. Edson Perrotti uma orientação para o consumo de alimentos saudáveis e assim ele nos esclareceu: “Comer bem deve ser satisfatório e prazeroso, antes de ser um ato técnico. Mas para que isso aconteça, depende do conhecimento das pessoas para que possam fazer boas escolhas. Dando como exemplo, as fontes de carboidratos de cadeia complexa ou integrais, ou seja, aqueles que não foram processados e são encontrados em alimentos, que contém fibras em sua composição natural, são opções mais saudáveis como as frutas (maçã, banana, morango), legumes (lentilhas, feijão, ervilha, dentre outras), fontes de gorduras ômega 3 (nozes, amêndoas, avelãs, macadâmia, amendoim), grãos integrais (arroz, aveia, quinoa), tubérculos (batata, batata doce, mandioca, inhame, cará) ”.

“As diretrizes recomendam que, dentro de uma dieta adequada se consuma 45 a 65% de carboidratos, preferencialmente os integrais. Porém, se uma pessoa ingere maior quantidade do que o indicado em seu total de calorias da dieta ou se consome a quantidade adequada de calorias, porém em percentual maior em relação aos outros nutrientes (proteínas e gorduras), ou ainda se toda a ingestão mesmo que plenamente adequada se faça de carboidratos processados, industrializados e/ou de cadeia curta, podem sim causar danos ao organismo”, alerta Dr. Perrotti.

Quanto às gorduras, podemos dizer que existem as mais saudáveis que são as insaturadas, que podem ser monoinsaturadas e polinsaturadas, são consideradas grandes fontes de energia. Temos como exemplos: abacate, amêndoas, nozes, pistaches, peixes como o salmão, sardinha e atum, azeitonas, sementes de linhaça, girassol, chia e azeite de oliva.

Apesar desse tipo de gordura ser benéfica, se consumida em demasia pode causar aumento de peso entre suas consequências, porém é menos prejudicial do que o excesso de consumo das gorduras saturadas. Estas por sua vez causam aumento do tecido gorduroso visceral, bem como o ganho de peso e aumento do colesterol, triglicerídeos e resistência à insulina, aumentando o risco de diabetes e de doenças cardiovasculares.

“Para uma dieta equilibrada, é importante que prevaleça o bom senso. A escolha da quantidade adequada de cada nutriente deve ser feita com a ajuda de um nutrólogo ou nutricionista”, aconselha o endocrinologista.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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