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Compartilhar os desafios do diabetes faz parte da vida a dois

paulaejoaoTer um aliado para ajudar a ter o controle melhor da glicemia é uma satisfação inenarrável para quem tem diabetes. Quando este aliado é seu companheiro ou companheira e está ao seu lado em um momento de hipoglicemia pode muitas vezes salvar sua vida.

Esse foi o caso de Aline Botelho, com 34 anos de diabetes. “Uma vez a minha esposa errou a quantidade de insulina pela manhã e caiu na banheira. Quando eu percebi, ela já estava falando de forma enrolada e quase desmaiando. Consegui levantá-la e dei para ela beber um refrigerante normal. A partir desse episódio, pedi orientação para o médico de como devia proceder nesses casos. Compramos Glucagon, substância que aumenta a glicemia rapidamente, mas nunca precisamos utilizar”, relata Luiz Botelho, marido da Aline.

Nessas situações, o paciente precisa sempre procurar ainda mais educação em diabetes para controlar a glicemia e assim melhorar seu tratamento. Segundo a endocrinologista Ana Claudia Ramalho, “o familiar e/ou companheiro precisam saber que decisão tomar principalmente quando a pessoa está com hipoglicemia, pois tem o risco de perder a consciência. Outro momento importante de maior participação no tratamento é durante a gestação, pois o marido/esposa precisa acompanhar o processo para que possa dar mais segurança à companheira(o)”.

Por isso, Luiz reflete até que ponto pode ajudar Aline. “Acho que uma pessoa deve interferir na vida do outro até o ponto que o diabetes e suas consequências também interferem na vida do companheiro(a). Não tirei a independência dela, mas sempre fico lembrando que posso ter uma situação de emergência e que devo agir. Muitas vezes ela fica brava comigo, mas aceita”.

“No começo do relacionamento, a primeira vez que percebi uma hipo, no meio da noite, assustei, pois minha mulher acordou toda suada. Com o tempo, percebi o risco que a hipoglicemia representa. Durante muito tempo, dormi e durmo sabendo que posso ser acordado de repente, tendo de acudir ela com glicose de saquinho. Tive e tenho medo de algum dia ela ter um episódio desses forte, sem aviso, e assim, tomar outras medidas como chamar ambulância, ou levá-la em coma para o hospital. Sempre a mantenho em alerta sobre ter alguma glicose ou bala para saber se cuidar numa emergência, seja no carro, na bolsa, ou em qualquer viagem que façamos. Broncas, perguntas e mão nas costas (para ver se está suando) são coisas que faço o tempo todo”, exemplifica Luiz.

“Já ultrapassamos vários desafios. A Aline teve uma hemorragia no olho durante um trabalho e teve de fazer cirurgias para salvar parte da visão. Tivemos uma agência digital própria, após este evento. A partir daí, fizemos um esforço grande para recolocação e seleção de uma atividade profissional, que ainda não conseguimos. Hoje acreditamos que minha mulher é útil, para nossa vida e para os outros. Se sentir realizada é importante para uma convivência boa. Uma pessoa incompreendida dificilmente se sentirá bem, e como consequência não terá uma vida social plena. A força de trabalho dela é grande, muito ativa e disciplinada. Quero muito poder fazer algo por ela, para nós, e pelos outros diabéticos.A partir destas premissas, dei a ideia de ajudar os outros e construir um meio próprio de se expressar, e então Aline criou sozinha um Blog, chamado Clube do Diabetes (www.clubedodiabetes.com). Está indo muito bem e colocamos fé que isso possa ajudá-la a fazer parte do mercado de trabalho”, ressalta Luiz.

Por isso, que a Dra. Ana sugere que “a forma como o cuidador pode ajudar é falar do assunto de forma tranquila, valorizar as pequenas conquistas como maior controle da glicemia, frequentar reuniões ou palestras em associações, buscar informações na internet em portais de referência, mas sempre respeitar a autonomia do paciente, não perguntando várias vezes como está a glicemia, ligar para o local de trabalho ou escola para saber como se sente e não falar sobre futuras complicações que a pessoa pode ter se não se cuidar, como uma forma de ameaça”.

Conviver com diabetes requer mais cuidados, mas ter em mente sempre que precisamos ter otimismo e motivação para vencer os obstáculos da vida. Quando há a presença do nosso companheiro(a) e que nos compreende, nos sentimos mais fortalecidos para o sucesso do tratamento.

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