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Confira as vantagens do consumo do kefir, aqui!

Conheça os benefícios do consumo do kefir

Dra. Andressa Heimbecher Soares*

kefir

Nosso organismo é o lar de trilhões de microrganismos – bactérias, fungos e vírus, que vivem principalmente no intestino, comunicando-se com o sistema imunológico e o cérebro. A ideia é que tenhamos um equilíbrio, numa relação de benefício mútuo entre nós e tais microrganismos que formam a flora intestinal. Porém, quando há um desequilíbrio, esses germes podem interferir no nosso metabolismo. E é por isso que a saúde da flora intestinal está sendo exaustivamente estudada por pesquisadores, pois pesquisas sugerem que a flora desempenhe um papel importante na obesidade, diabetes, asma, artrite reumatoide, depressão e até no autismo.

E quando falamos em flora intestinal, é impossível não falar do kefir. O kefir é um leite fermentado com uma longa história. Muito antes de virar moda, já era conhecido desde o final do século XIX na Rússia. Ele é feito a partir de uma colônia inicial de bactérias e leveduras fermentadoras que são adicionadas ao leite, seja de vaca, cabra ou ovelha. A partir desse momento, os microrganismos presentes nessa colônia inicial se proliferam e um alimento rico em uma flora benéfica está pronto para ser consumido; ele tem sido muito utilizado nos dias atuais e virou um alimento da moda nos últimos anos. Ficou famoso graças à quantidade de proteína, cálcio, fósforo, vitamina B12, B2 e magnésio, além de ser superior ao iogurte em ação probiótica. Pode ainda conter em sua composição minerais, e além das vitaminas do complexo B, vitaminas A, D e E, aminoácidos e ácido linoleico. Tem um PH ácido, contém sódio, potássio, cobre e zinco. O mais interessante no kefir é a presença de bactérias probióticas como o Lactobacillus acidophilus.  A fermentação também poderá ser feita no leite de soja, de arroz, de coco ou outros líquidos adocicados, havendo a possibilidade das colônias não se desenvolverem completamente. O processo dura de 24 a 36 horas, período no qual o liquido deve ser mantido longe da luminosidade, para evitar degradação das vitaminas presentes. Após esse período, as colônias ou grãos são extraídos e colocados em um novo leite.

Pode ser bebido diretamente ou usado em receitas. Há também a possibilidade de ser conservado em um recipiente menor para sofrer uma fermentação secundária. Não há até o momento informação científica sobre dose ideal de consumo.

Muitas pessoas ainda confundem probióticos com prebióticos. Podemos dizer que probióticos são feitos de bactérias vivas que vivem no nosso intestino. No entanto, apenas algumas dezenas de cepas bacterianas foram realmente testadas em humanos; a maioria dos estudos foram feitos com lactobacilos e bifidobactérias, que são a classe predominante de bactérias em produtos comerciais. Os probióticos são geralmente encontrados em produtos lácteos de leite fermentado que tenham lactobacilos em sua composição. Temos como exemplos o kefir, o kombucha, alguns tipos de queijo e coalhada e o missô, pasta fermentada de soja da culinária japonesa.

Como já foi referido anteriormente, não existe estudo sobre a quantidade de consumo diário ideal do kefir, pois o mesmo é possivelmente seguro para a maioria dos adultos quando ingerido por via oral por até oito semanas. Porém, pode causar efeitos colaterais como inchaço, cólicas intestinais e constipação, especialmente quando o uso for iniciado. Geralmente, esses sintomas desaparecem com o uso continuado.

Atualmente já se sabe que os microrganismos da flora intestinal podem ser responsáveis por alterar o comportamento alimentar e causar até compulsões; a bactéria Prevotella prefere ambientes ricos em carboidratos, enquanto que as Bifidobactérias, gostam das fibras. Dessa forma, podemos concluir que dependendo do que comemos, teremos no nosso intestino mais ou menos bactérias de determinado tipo e é por isso que, se um grupo de microrganismos prevalece sobre outros, sinais intestinais são enviados ao cérebro para que as escolhas alimentares sejam feitas em benefício delas – chamado eixo microbioma-intestino-cérebro.

Quanto aos prebióticos, são representados pelas fibras, alimentos das bactérias intestinais, responsáveis por reduzir a absorção de glicose e colesterol, auxiliando também no controle da saciedade; estudos indicam que o seu uso pode reduzir o acúmulo de gordura na região abdominal por auxiliar na redução do índice glicêmico dos alimentos e, por consequência, na redução da resistência insulínica. Encontramos as suas principais fontes nos seguintes alimentos: raiz de chicória, dente de leão, alho, cebola, alho poró, aspargo, banana, aveia, maçã, semente de linhaça, farelo de trigo, batata yacon.

Os principais efeitos das fibras solúveis são retardar o esvaziamento gástrico e o trânsito no intestino delgado, modular o trânsito intestinal, aumentar a absorção de água e combater a diarreia. Além disso, promove o desenvolvimento da mucosa intestinal do íleo e do cólon e estimula o metabolismo do cólon.

As fibras insolúveis são encontradas em verduras mais duras e fibrosas como nos grãos integrais, casca de farelo de trigo e o efeito de seu consumo é principalmente mecânico, por aumentar o peso e a massa das fezes e, com isso, a frequência de evacuação e diminuir o trânsito do cólon.

*Dra. Andressa Heimbecher Soares é médica endocrinologista e metabologista.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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