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Confira o perfil de Melodie de Mattos Gomes e seu ativismo!

Informação é Poder!

Melodie

Meu nome é Melodie de Mattos Gomes, tenho 27 anos e há 17 convivo com o diabetes mellitus tipo 1. Uso insulinas análogas e faço automonitorização seis vezes ao dia. Demorei muitos anos para assumir a doença, temendo sofrer preconceitos pela minha condição de saúde.

Durante os dez anos que morei em Araruama, jamais consegui obter as fitas, seringas ou lancetas. Só comecei a receber em 2013 quando resolvi passar um período na capital e, ao me inscrever no Programa de Diabetes do Município do Rio de Janeiro, ganhei um glicosímetro e todos os insumos (insulinas NPH e Regular). Com isso, claro que o tratamento obteve uma melhora significativa; com a receita em mãos todos os meses, conseguia tudo o que precisava e além disso a cada três meses fazia consultas com um médico clínico.

Em nosso país, vivemos uma situação de muito descaso com a saúde da população – faltam insumos e insulinas adequadas para o tratamento e as pessoas se sentem abandonadas, entregues à própria sorte. Para aqueles que se encontram empregados, às vezes precisam de um segundo emprego para custear toda a medicação necessária. Imaginem então os desempregados, que acabam por esperar por doações.

Aqui no Rio de Janeiro, estamos vivendo tempos de grande instabilidade. Se por um lado as pessoas que residem na capital conseguem ter acesso a insumos e medicações com maior facilidade, temos informações que existem indivíduos que moram na baixada e no interior do Estado que nada conseguem, precisando utilizar agulhas comuns para furar os dedos ou até mesmo ferver seringas plásticas ou lavá-las com álcool para serem reutilizadas porque as Secretarias de Saúde não fornecem o material adequado para tornar o tratamento menos doloroso.

Os pacientes deveriam ser ouvidos e consultados quando houver mudanças nos protocolos de saúde. Nem sempre o que é fornecido é o mais indicado ao tratamento de uma doença crônica.

Hoje posso dizer que embora estejamos num momento de fácil acesso à internet, a falta de esclarecimento continua sendo um grande problema. Penso que informação é poder! Quando tivermos pessoas bem informadas de seus direitos, conseguiremos “cobrar” de maneira efetiva mudanças diante às dificuldades que estamos sofrendo.

Enquanto isso não ocorre, não fico de braços cruzados; frequento a Associação dos Diabéticos do Hospital do Fundão, a qual ajudei na sua formação e pretendo ser ativista numa instituição que pretendemos formar, mas ainda está em fase embrionária.

No final do meu depoimento, me foi pedido pela jornalista responsável pelo Portal que eu escrevesse uma carta para mim mesma para ser lida daqui a 10 anos, falando como espero estar vivendo no futuro.

E assim escrevi “Olá, Melodie!

Quando pensei em escrever essa carta, foi o maior desafio que já vivi.

O que escrever para ser lido daqui a 10 anos num momento atual de tantas incertezas?

Depois de tantas “barras” e dificuldades para transpor nesses dois últimos anos (2016/2017), tenho esperanças que em 2028 as coisas estejam mais calmas.

Tantos problemas enfrentados para dar prosseguimento ao tratamento, às vezes me fazendo chorar ao me ver sem perspectivas de um bom futuro…foram momentos de medo e insegurança que espero que sirvam de inspiração para muitos que necessitam de tratamento e que lutem sempre para que o mesmo seja o melhor e o ideal.

Espero que o projeto da associação da qual faço parte tenha “bombado” e que as pessoas estejam ainda mais unidas e fortalecidas em nosso país, que desde já torço para ter superado a grande crise na qual está imerso.

Nutro esperanças ainda que em 2028 o mundo tenha encontrado um novo caminho de muito amor e paz”!

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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