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Confira sobre possíveis soluções para diminuir a incidência do diabetes e de seus gastos no Brasil

Estudo inglês e alemão alertam os gastos surpreendentes com diabetes no Brasil e o Portal De Bem com a Vida aponta possíveis sugestões

gastos

No final de março, a BBC publicou um estudo que fez um levantamento de dados de 180 países, levando em conta tanto as despesas com o tratamento médico do diabetes, quanto os impactos na atividade econômica. Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-43508604

De acordo com esta pesquisa, os gastos do Brasil com diabetes foram de US$57,7 bilhões, representando R$190 bilhões em 2015, contrariando os dados divulgados no Ministério da Saúde, que foram de R$92 milhões no mesmo ano.

Segundo as estimativas do estudo, até 2030, estas despesas podem subir para US$ 97 bilhões, de acordo com posicionamentos mais conservadores, ou US$ 123 bilhões, ou R$406 bilhões, no pior dos cenários avaliados pelo estudo europeu.

Outros estudos estimam que no Brasil já tenham 7% a 10% da população com diabetes – metade dela nem sequer tenha sido diagnosticada. Segundo Justine Davies, coautora do estudo e professora do Centro de Saúde Global do King’s College, esta porcentagem pode chegar a 14% em 2030.

Uma das causas deste aumento dos gastos e da incidência ao diabetes pode estar vinculada ao sobrepeso da população, já que o Ministério da Saúde aponta 20 em cada 200 brasileiros. E a culpa deste sobrepeso está fortemente ligada com o consumo excessivo de fast food, alimentos ultraprocessados, como bolachas, refrigerantes, salgadinhos e similares.

Dr. Balduino Tschiedel, endocrinologista, presidente do Instituto da Criança com Diabetes e da Federação Internacional de Diabetes da Região das Américas Central e do Sul, concorda com Davies. “O estudo mostrou, de fato, que nada é tão ruim que não possa piorar! Ou seja, nossa situação, que já é de epidemia da doença, poderá se transformar  num tsunami de gastos públicos e privados. A obesidade e o sobrepeso são os grandes vilões dessa história, sim. Tudo conspira para que mais e mais brasileiros e cidadãos do mundo inteiro tornem-se obesos. O alimento cada vez mais  rico em gorduras, açúcares e sal. O acesso mais fácil das pessoas a eles. O poder da propaganda. As redes sociais, a tecnologia e a violência contribuindo para o sedentarismo. Tudo isso é muito difícil de combater”.

Quando questionado se sobretaxar os alimentos ultraprocessados e ligados ao fast food além de colocar restrições às propagandas são bons caminhos para contribuir para diminuir a incidência do diabetes no Brasil, Dr. Balduino se coloca “acredito fortemente que esse é um importante caminho a ser trilhado. Isso aconteceu com o tabagismo. Veja que o hábito de fumar vem paulatinamente decrescendo no mundo inteiro. Entretanto, hábitos alimentares me parecem mais difíceis de alterar. Mas um belo aumento no preço de alimentos supérfluos e nocivos à saúde, aliado a uma proibição na publicidade dos mesmos, pelo menos aquela dirigida aos grupos etários mais suscetíveis, creio que atingirão o mesmo resultado do tabagismo, mas em um prazo mais dilatado”.

Mas as iniciativas não devem parar por aí. A Sociedade como um todo pode contribuir, começando pelos “governos (municipal, estadual, federal) podem e devem participar ativamente na tentativa de alterar esse quadro dramático, criando leis que ajudem a taxar os alimentos nocivos, como colocado acima, e também alterando de forma saudável as merendas escolares, e os alimentos vendidos em cantinas escolares. Também podem criar e divulgar campanhas, baseadas em fatos científicos, de forma a que a população tenha mais conhecimento do que a obesidade e suas doenças associadas podem causar”, adiciona o médico brasileiro.

“Já as Associações dedicadas a estas doenças, tais como as Associações de pacientes com diabetes, e suas congêneres de profissionais de saúde, podem ajudar muito na difusão de conceitos científicos atuais e corretos, e dando o suporte para que as campanhas governamentais tenham sempre um conteúdo cientificamente atualizado. Claro que se a mídia aderisse espontaneamente a tais campanhas tudo seria mais fácil, pois o poder de alcance de tais campanhas seria muito mais abrangente. E no Brasil, um país ainda bastante religioso, deveríamos sempre tentar o apoio das Igrejas, já que elas também exercem um importante papel junto à comunidade, principalmente aquela mais carente e potencialmente em uma zona de risco maior”, finaliza Dr. Balduino.

Soluções já estão sendo propostas pelas associações de pacientes e pelos especialistas, falta agora a sociedade pressionar para que os governos tenham ouvidos para ouvir e força de vontade para executar iniciativas que visam investir em prevenção e diminuir os gastos com as complicações e internações!  

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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