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Conheça a experiência de uma publicitária com diabetes que realizou a peregrinação de 360 km na Itália

malu“Quando você caminha em um parque, normalmente relaxa os pensamentos. Em uma peregrinação, vai além disso. Você pensa em muitas coisas e valoriza tudo ao redor. O que vê, o que sente, os sabores, odores, estar no meio do bosque ao som do vento, da água corrente dos riachos, dos passarinhos (ouvíamos o cuco durante todo o percurso), de borboletas voando ao redor, do cheiro de flores…, parecia que a cidade se perfumava para nossa passagem. Outro detalhe foi a vista maravilhosa, todos os tons de verde, de flores, igrejas, plantações, isso tudo faz você ter certeza de que Deus existe e está ao seu redor. E um pensamento sempre vinha a minha cabeça: gostaria que todos tivessem a oportunidade de fazer uma peregrinação na vida pra sentir as coisas que eu estava sentindo”, esse depoimento foi dado pela publicitária Maria Luzia Serraglio, com 22 anos de diagnóstico de diabetes, sobre o que passou na sua cabeça em 17 dias especiais de sua vida.

Entre maio e junho deste ano, Malu resolveu fazer uma peregrinação de 360 km por três províncias italianas, Toscana, Umbia e Lazia. Admiradora e devota de São Francisco de Assis, ela soube que havia um caminho percorrido por ele e que muitos peregrinos refaziam para conhecer mais de perto sua história.  Caminhou durante 17 dias e narra os momentos difíceis. “As dificuldades vinham em momentos em que subíamos uma parte íngreme de terreno acidentado (pedras e lama) debaixo de chuva, no meio do bosque. Ou ainda quando perdíamos os sinais (as indicações do caminho são descritas por texto e marcas de Tau e seta amarela em pedras e árvores), mesmo assim às vezes estávamos perdidos. Voltávamos até encontrar um sinal e retomar outra direção. E em uma situação específica (percurso de 34 km com o peso da chuva), tive uma glicemia de 34mg/dl ou 37mg/dL. Meu chocolate tinha acabado e meu estômago estava enjoado de doces… Pedi para o Paulo (um dos acompanhantes) não parar de falar comigo, enquanto o Laerte (outro participante) me dava chocolate. Senti medo de perder a consciência, portanto, pedi pra ele conversar comigo por uns 10 minutos não importava sobre o que, apenas mantendo o contato”.

De certa forma, mesmo com as hipoglicemias, Malu não passou tantas dificuldades. Costuma correr três vezes por semana o que proporciona um condicionamento físico, força muscular e resistência maior para vencer o cansaço e essa atividade também gera maior rendimento para que o peregrino possa alcançar o objetivo com mais facilidade. Além dessa preparação física, a publicitária, antes da peregrinação, também precisou se preocupar com outros detalhes, como amaciar as botas antes de utilizá-las no caminho, se informar sobre os alimentos que deveria levar e sua quantidade certa, para que pudesse carregar o mínimo possível em sua bagagem a fim de não pesar durante o percurso.

Mesmo com estes cuidados, Malu conta o que aconteceu com a glicemia, “costumo dizer que o cuidado é o mesmo que tenho em casa, a diferença é o ambiente. Contagem de carboidratos na alimentação, 5 a 6 testes glicêmicos/dia, bastante hidratação e carboidrato de absorção rápida na mão para hipoglicemias, além de muito chocolate italiano. No início, a glicemia era mais previsível e estava sob controle. A alimentação na Itália, contrariando o que eu imaginava, é muito saudável. A dieta mediterrânea é rica em carboidratos, mas o preparo ajuda muito no aproveitamento dos alimentos. Depois, com o acúmulo de dias seguidos de atividade física extensiva, a minha sensibilidade à insulina ficou intensa, e com isso, as quedas de açúcar no sangue foram constantes”.

“As hipoglicemias ocorriam mais frequentemente na parte da manhã. A minha sensibilidade à insulina ficava maior do que o normal, e a mínima dose de insulina era incrivelmente eficiente. Na Itália, o café da manhã tem muito doce, não se usa queijo ou manteiga e sim geleias eNutella. No início do percurso, era mais fiel à correção de contagem de carboidratos, mas depois, com a sensibilidade maior à insulina, eu aplicava metade do que eu uso ou menos de insulina para o controle. A praticidade de aplicação da insulina via bomba é de um conforto imensurável. Em qualquer situação, seja estar em um bosque, com chuva, subindo ou descendo em terreno acidentado com a mochila de 7kg nas costas. Além disso, não se preocupar em injetar ou ainda em guardar o lixo hospitalar me deixou mais confortável. Nós levávamos um sanduíche ou pedaço de pizza (nosso almoço durante o caminho), fazia o teste de dedo, calculava o carboidrato ingerido, a glicemia a ser corrigida (raramente) e apertava meus botõezinhos: pronto pra continuar o caminho, sob chuva ou sol”, detalha Malu.

Os objetivos da Malu foram alcançados com êxito, “a cidade de Assis é muito especial e encantadora. Chegar lá foi muito emocionante, pois chorei muito, senti o calor humano ao ser muito bem recebida na cidade e por ter acreditado e ter tido muita fé. Quando estávamos chegando ao final da peregrinação, faltando apenas dois dias, dava vontade de regressar. Bateu uma tristeza saber que a rotina de acordar, planejar o dia, se preparar para o caminho e fazê-lo estava chegando ao final. É contrária a situação de final de corrida, de uma maratona, onde a ansiedade pelo término nos últimos quilômetros aumenta a cada metro percorrido… na peregrinação é ao contrário: você fica triste que está terminando. Deseja que não termine, que se estenda”.

Ao regressar, Malu tirou muitas lições da experiência, “voltei com meus sentidos mais apurados, os sabores, os aromas e a visão se intensificaram. A paciência ao vislumbrar o horizonte e se contentar em nada acontecendo despertaram em mim. Compreendi que o momento é único e precisa da sua atenção. Não importa se é bom ou ruim, ele vai passar e você precisa tirar algo disso, seja prazer ou aprendizado. Nenhum momento na vida é repetido. É sempre único. Por isso, é preciso que se aproveite cada um deles”.

“Assim, nunca deixe um sonho somente na sua cabeça. Se você deseja fazer alguma coisa diferente, vá atrás, pesquise, se oriente, se prepare. Os obstáculos existem para todos, o que muda é a forma como lida com eles. Realize tudo ao seu jeito, no seu limite. É o seu sonho… e será a sua realização. Não existe padrão pra isso”, finaliza Malu.

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