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Conheça a paixão de Eduardo dos Santos Simon por esportes náuticos aqui!

A história de um apaixonado por esportes náuticos

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Eduardo dos Santos Simon

Em 1972, quando tinha apenas 11 anos de vida, recebi a notícia de que estava com diabetes mellitus tipo 1. Naquela época, pelo fato da doença ser desconhecida pela maior parte das pessoas, confesso que era muito difícil enfrentar o problema; não havia ainda insulina humana, a seringa utilizada era de vidro e precisava ser fervida para ser esterilizada à cada aplicação; as agulhas não eram descartáveis, dotadas de um calibre muito grosso. Sem contar que eu ficava exausto em ter de explicar o que era diabetes – diziam as pessoas “O quê? Tia Bete?” Haja paciência!

Desde criança sempre gostei do mar e “pegava onda” de jacaré com uma prancha de madeira, depois vieram as de isopor. O tempo passou e comecei a curtir o caiaque, depois em 1984, quando completei 23 anos, veio o desejo de velejar de windsurf, onde consegui comprar uma prancha usada de um amigo, pois estes equipamentos são caros!

A paixão por velejar me motivou a praticar kitesurf. Não sei se todos conhecem a diferença. Pratica-se windsurf com uma prancha idêntica ao surfe, com uma vela de dois a cinco metros de altura. Consiste em planar sobre a água utilizando a força do vento. Já no kitesurf, utilizamos uma pipa semelhante ao paraquedas, que traciona o velejador sobre uma prancha. Ambos são esportes aeróbicos, ou seja, são atividades de longa duração, que não requerem esforço extremo. Além do prazer de velejar, o contato com a natureza e o coleguismo que o esporte proporciona são muito saudáveis. Para praticar essa modalidade esportiva, precisamos do vento, de um equipamento adequado ao local onde se vai velejar e acima de tudo temos de cultuar a paciência, dedicação e persistência até aprender.

Com a prática do esporte me sinto relaxado para enfrentar a rotina do cotidiano. Sou gerente de tecnologia da Brasoftware Informática, uma das maiores revendas Microsoft da América Latina e do mundo.

Desde que comecei a velejar, a hipoglicemia sempre foi a minha maior preocupação, mas não havia qualquer solução elaborada para resolver o problema. Resolvi então utilizar um recipiente plástico que se chamava “porta-treco” que tinha um cordão para pendurar no pescoço. Enchi de açúcar branco e fui para o mar. Com a ajuda do meu endocrinologista, fiquei sabendo da existência de pastilhas de glicose, que vinham embaladas hermeticamente fechadas e com isso, davam a possibilidade de carregar no bolso da bermuda. Quando comecei a praticar Kitesurf, tive de encontrar outra solução, pois o esporte exigia equipamentos diferentes, impedindo que alcançasse o bolso do calção. Assim, decidi ir a uma loja de equipamentos náuticos e, depois de encontrar um suporte para telefone celular, o adaptei para ficar no meu colete, conforme foto abaixo, não sem antes colocar uma fita de velcro para evitar a perda das tais pastilhas.

Kitesurf

O diabetes nunca foi um fator limitante para realizar as coisas que desejo. É um detalhe a mais dentre todos os cuidados que temos de ter ao velejar ou sair para o mar. Sou Mestre Amador e estou estudando para tirar habilitação de Capitão; justamente por isso, estou ciente de todos os riscos que envolvem os esportes náuticos. Ter diabetes e em especial estar sujeito a hipoglicemias, nunca me impediu de concretizar meus planos. Quando íamos velejar em Ilhabela, tínhamos de acampar em barracas e eu planejava todo o cuidado com os frascos de insulina, alimentação e outros medicamentos; avisava meus amigos próximos, mas nem mesmo tinha certeza se caso tivesse de ser resgatado, as equipes de salvatagem saberiam identificar pelos sintomas apresentados que eu estava hipoglicêmico. Atualmente estou pesquisando um material como pulseira de acrílico impermeável para registrar “Tenho Diabetes Tipo 1” ou “Type 1 Diabetic”, pois já velejei no exterior como em Maui, no Hawaii. Apesar de todos os riscos, velejar é muito bom; sobrevivi a tudo e ainda quero muito mais! Futuramente, planejo ter um barco e fazer uma travessia, com diabetes incluso, claro!

Aprendi com essa doença crônica que a capacidade de adaptação do ser humano é ilimitada, caso contrário, teríamos sido extintos da face da Terra. Resumindo em uma palavra “SUPERAÇÃO”!

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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