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Conheça a vivência de Juliana Lessa à espera de seu filho(a)

Adoção – a gestação que acontece no coração

Juliana Lessa*

adocao

Desde adolescente, pensava na adoção como um caminho para ter meus filhos e com 36 anos senti que estava na hora de ser mãe. Nessa época, estava solteira e não tinha interesse em ter uma criança por meio de inseminação artificial.

Apesar de ter certeza da decisão tomada, o medo apareceu de imediato. E se eu não estiver fazendo a coisa certa? E se eu não der conta da maternidade e não souber educar?

O amadurecimento da ideia aconteceu aos poucos; passei um bom tempo lendo sobre o assunto e buscando todas as informações possíveis, pois além de tratar de adoção mono-parental, tinha receio pelo fato de ter diabetes tipo 1, que isso pudesse pesar contra mim. Além disso, na época em que dei entrada no pedido de habilitação para adoção, eu não tinha mais emprego fixo e tinha começado a trabalhar como profissional autônoma.

O processo é extenso, burocrático, mas absolutamente necessário. Cada uma das etapas é importante para entendermos mais a fundo sobre a gestação que acontece no coração. As pessoas interessadas participam de uma primeira reunião de caráter informativo. Em sequência, ocorrem reuniões obrigatórias com Grupo de Apoio associado à Vara da Infância, entrevista com psicóloga e assistente social até acontecer a visita em casa. Feito isso, seguimos com a entrega de documentos (certidões negativas cíveis e criminais, atestados de saúde física e mental, declarações de idoneidade, comprovantes de renda, moradia). Toda a documentação e os relatórios do processo são encaminhados para o Ministério Público e só então receberemos a sentença final do juiz.

Muitas pessoas ficam curiosas em saber quanto tempo leva todo o processo. Atualmente, os prazos estão mais curtos, pelo menos foi o que ocorreu na comarca da capital do Rio de Janeiro. Em particular, no meu caso, foram sete meses entre a primeira reunião e a entrega dos documentos, somados mais quatro meses até receber o Certificado de Habilitação, meu resultado “positivo” de gravidez, que significa que já estou habilitada e esperando apenas o telefone tocar!

Durante todo o desenrolar do processo, fui invadida por uma série de sentimentos e sensações. Cada etapa parecia um julgamento e é claro que afetou o meu emocional. Percebi que as glicemias ficaram alteradas, a hemoglobina glicada aumentou nesse período, afetando também alguns hormônios e, dentre eles, a prolactina, responsável pela produção do leite materno. Por algumas vezes chegou a vazar um pouquinho de leite do meu peito.

A adoção é puro ato de amor e nos ensina que ser mãe independe de DNA. Ao longo da vida adotamos pessoas…um amigo que se torna irmão, uma pessoa que passa a exercer o papel de pai ou mãe pelo amor. O filho que chegará será meu, independentemente de ter sido gerado na minha barriga ou não.

 

*Juliana Lessa é engenheira e influenciadora digital através do Blog Insulina Portátil, autora e editora da Revista EmDiabetes.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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