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Conheça as causas de infertilidade masculina

Infertilidade do Homem e Diabetes

Dr. Fernando Prado Ferreira*

A infertilidade é definida pela Organização Mundial de Saúde como a incapacidade em atingir a gestação após um ano de tentativas, com relações sexuais bem distribuídas ao longo do ciclo menstrual e na ausência de métodos contraceptivos. A Associação Americana de Medicina Reprodutiva recomenda também, que após 35 anos de idade da mulher, devemos aguardar no máximo seis meses antes de pesquisar e tratar a infertilidade.

A principal causa de infertilidade masculina é a varicocele, que nada mais é do que a dilatação das veias da bolsa escrotal, que levam ao aumento da temperatura local e acúmulo de substâncias tóxicas. Além da varicocele, podemos ter causas hormonais (hipotireoidismo e diabetes), obstrutivas (vasectomia e agenesia dos ductos deferentes) e defeitos na produção dos espermatozoides.

O hipotireoidismo pode levar a um aumento indireto da prolactina (hormônio ligado à produção do leite na mulher, mas que também está presente no homem). Esta, por sua vez, reduz a produção de testosterona (o hormônio masculino) e consequentemente reduz a produção de espermatozoides. Já o diabetes pode levar a disfunções nervosas dos canais, que transportam os gametas masculinos, gerando a chamada “ejaculação retrógrada”, ou seja, consiste no movimento contrário do sêmen durante a ejaculação. Os espermatozoides, ao invés de saírem pela uretra para o exterior do organismo, são direcionados para a bexiga urinária.

Doenças reumáticas como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico podem interferir na fertilidade masculina. No lúpus, há redução do volume dos testículos ocasionados por danos nos túbulos seminíferos. Além disso, por ser uma doença autoimune, o próprio organismo produz anticorpos que “atacam” os gametas masculinos. A artrite reumatoide em atividade pode reduzir os níveis de testosterona e consequentemente a produção de espermatozoides.

Contudo, não podemos deixar de mencionar o efeito das medicações utilizadas para tratar essas doenças, pois são extremamente tóxicas aos testículos, causando uma diminuição considerável na produção das células reprodutivas masculinas, podendo até mesmo zerar a contagem delas.

O hábito de fumar ou o uso de drogas pode reduzir a motilidade dos gametas masculinos já em curto prazo. A médio e longo prazos podem reduzir sua produção e piorar sua qualidade. A ingestão de bebidas alcoólicas em excesso interfere com a produção de certas substâncias no fígado, que estão ligadas com o transporte de hormônios no organismo, podendo levar a uma queda na síntese de espermatozoides também.

Praticar exercícios físicos em excesso pode interferir na fertilidade, pois o aumento da temperatura corporal ocasionado pela atividade física em demasia interfere na produção de espermatozoides, além de promover a liberação de radicais livres, tóxicos para os mesmos.

Alguns estudos mostram que homens e mulheres com IMC abaixo de 20 ou acima de 30 terão sua fertilidade comprometida; isso ocorre porque o índice de massa corpórea muito baixo é consequência de uma quantidade de gordura insuficiente no organismo para a produção de hormônios, especialmente os estrogênios na mulher, os quais são essenciais para o correto funcionamento dos órgãos reprodutivos. Mulheres muito magras ou atletas de alta performance podem deixar de menstruar e ovular. Já nos obesos, a gordura presente nas coxas esquenta os testículos, causando um estresse térmico que prejudica a produção e a qualidade dos gametas masculinos.

Se o paciente com diabetes controlar o peso, a glicemia e mantiver atividade física regular e controlada, sua fertilidade poderá ser preservada; o diabetes terá mínimo efeito sobre ela ou mesmo nenhum efeito.

O excesso de peso, a perda ou redução da libido, disfunção erétil e redução do volume do ejaculado são sinais importantes que estão relacionados com a infertilidade. Esses sinais serão analisados apuradamente em consulta médica, onde uma detalhada história clínica e exames físico e espermograma darão o potencial final de fertilidade esperada.

Por medida de precaução, o médico aconselha o congelamento do sêmen quando o paciente for submetido a tratamento quimioterápico e em homens, que apresentam uma contagem muito baixa de espermatozoides, tendo em vista que com o passar do tempo pode se reduzir ainda mais e até zerar.

 

*Dr. Fernando Prado Ferreira, Ph. D.

Doutor pelo Imperial College London e pela Universidade Federal de São Paulo.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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