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Conheça as fases da anestesia e como controlar a glicemia nesta situação!

Anestesia

Prof. Dr. Eduardo Finger*

Caro leitor, você sabe o que acontece no nosso organismo quando somos anestesiados?

Resumidamente, ocorrem algumas alterações que obedecem a três fases: analgesia, hipnose e relaxamento.

O segmento de analgesia consiste na administração de drogas, que evitam a possibilidade de sentir dor. A fase de hipnose ocorre quando se administram drogas que inibem a consciência.

A etapa de relaxamento ocorre quando são injetados fármacos, que retiram a capacidade de movimentação voluntária, gerando relaxamento muscular total, útil para a manipulação das cavidades internas. Nessa etapa (relaxamento), o indivíduo para de respirar e necessita ser sustentado por um respirador artificial.

anestesia

Sendo a respiração um mecanismo importante para a manutenção do pH sanguíneo, o fato de não respirar pode causar o seu aumento, que irá desarmonizar todo o equilíbrio eletrolítico do indivíduo, levando a outras consequências como o mau funcionamento da insulina em pH ácido. Outra questão importante a mencionar se deve ao relaxamento, isto é, com a ocorrência do mesmo, nota-se a queda da pressão arterial e com isso, as partes distais do organismo são menos perfundidas, piorando o pH corporal.

Outro fator que merece comentário diz respeito à cavidade que foi aberta cirurgicamente; sabe-se que a mesma promove perda de água (desidratação) e de sangue (comprometendo a oxigenação) muito rapidamente. Esta desidratação e hipóxia (pouco transporte de oxigênio) podem ser consideradas causas e consequências de problemas ligados ao diabetes.

Cabe ao anestesista a tarefa de monitorar todos estes parâmetros e ir controlando artificialmente cada um dos desvios da normalidade.

É por essa razão que não podemos deixar um indivíduo que não esteja com controle glicêmico ideal se submeter a uma cirurgia com o emprego de anestésicos. Quando a pessoa está equilibrada, tem espaço de manobra para suportar os desvios da normalidade e responder bem às ações do anestesista, caso contrário tudo pode ocorrer de maneira desastrosa.

A taxa glicêmica considerada ideal para a liberação do procedimento cirúrgico é individualizada e pode variar segundo a idade do paciente, na presença de doenças crônicas e se a cirurgia é eletiva ou de urgência.

Quando o paciente é jovem, deve-se manter o controle entre 90mg/dl e 120mg/dl. Se o indivíduo for idoso, essa taxa pode ser um pouco maior, mas sempre observando o seu estado geral.

Quando a intervenção pode ser feita mediante anestesia local, os mecanismos de controle fisiológico não são afetados e, dessa forma, o anestesista não precisa realizar estratégias terapêuticas artificiais, a própria pessoa consciente as realiza.

O motivo pelo qual as pessoas são dirigidas às salas de recuperação, após o ato cirúrgico é para dar o tempo necessário para o organismo reencontrar o ponto de equilíbrio.

Caro leitor, conhecendo os mecanismos de ação dos anestésicos, é muito importante manter o controle da glicemia, da pressão arterial, do colesterol para evitar intercorrências indesejáveis, caso precise fazer uso deles.

*Professor Doutor Eduardo Finger é médico, graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Residência e Especialização em Clínica Médica Geral no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).Doutorado em Imunologia na Tufts University Boston– Massachusetts. Pós-doutorado em Medicina, disciplina de Reumatologia em Harvard University Boston- Massachusetts. Gerente médico de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do Salomão Zoppi Diagnósticos.

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