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Conheça as fibras musculares do seu corpo, de acordo com o biotipo, e tire proveito!

Atividade Física e os Biotipos – Parte I

Drª. Eliana Pirolo*

O homem está submetido a múltiplas influências: raça, clima, civilização, gênero de vida, ocupação, condições nutricionais, toxinas endógenas e exógenas. A necessária adaptação orgânica, que resulta em modificações de grandes funções e, consequentemente, do desenvolvimento ou atrofia de determinadas estruturas, modela a arquitetura corporal, imprimindo caráter dinâmico à morfologia.

Em medicina, existe a tendência universal de se estabelecer uma relação entre a morfologia e a função como meio para conhecer a constituição de um indivíduo. Do conjunto dos caracteres anatômicos e funcionais do indivíduo resulta o biotipo que comumente é empregado como sinônimo de constituição; por isso, o estudo da constituição é também denominado biotipologia.

Podemos definir constituição como o conjunto dos caracteres anatômicos e funcionais de um indivíduo a partir de um dado momento de sua vida. É fundamentalmente determinada pela hereditariedade: três elementos a compõe: biotipo, morfologia dos órgãos internos e capacidade funcional. É a parte imutável do organismo, hereditária e consequentemente fixa, determinada antes do nascimento ‘in útero”.

Numerosos autores têm estudado o biotipo; somam 31 desde que Hipócrates, o “Pai da Medicina”, definiu os tipos extremos: tísico (longilíneo) e apoplético (brevilíneo). A partir desse momento, a ciência tem se preocupado em estabelecer tipos constitucionais básicos de acordo com o aspecto físico ou esquelético, com os caracteres psicológicos e o equilíbrio endócrino dos mesmos. Os trabalhos de biotipologia humana estão fundamentados em dados biométricos: idade, peso, altura, sexo, medidas segmentárias e antroposcopia, assim como outros dados relacionados com as atividades metabólica, endócrina e psíquica.

O estudo dos biotipos abriu um campo enorme de pesquisas na qual contribuíram patologistas, fisiologistas, bioquímicos e anatomistas. Graças a esses profissionais, descobriu-se que o corpo humano é formado por mais de 600 músculos esqueléticos, que permitem ao homem ser capaz de se movimentar rapidamente, reagir a estímulos em velocidade, gerar potência durante um chute ou um soco e suportar horas de exercício físico, como uma prova de maratona.

A massa muscular do corpo humano é composta por dois tipos principais de fibras musculares que são as vermelhas, também chamadas de tipo I ou de contração lenta e as brancas, conhecidas por tipo II ou contração rápida. Esta classificação foi feita por pesquisadores levando-se em consideração as características contráteis e metabólicas.

De forma resumida, veja as diferenças entre os dois tipos de fibras:

Fibras de Contração Lenta (Tipo I)

  • Sistema de energia utilizado: Aeróbico;
  • Contração muscular lenta;
  • Capacidade oxidativa (utiliza o oxigênio como principal fonte de energia);
  • Coloração vermelha devido ao grande número de mioglobina e mitocôndrias;
  • São altamente resistentes à fadiga;
  • São mais apropriadas para exercícios de longa duração;
  • Predomina em atividades aeróbicas de longa duração como natação e corrida.

 

Fibras de Contração Rápida (Tipo II)

  • Sistema de energia utilizado: Anaeróbico;
  • Alta capacidade para contrair rapidamente (a velocidade de contração e tensão gerada é três a cinco vezes maior comparada às fibras lentas);
  • Capacidade glicolítica (utiliza a fosfocreatina e glicose);
  • Coloração branca;
  • Predomina em atividades anaeróbicas que exigem paradas bruscas, arranques com mudança de ritmo, saltos como no basquete, futebol, tiros de até 200 metros, musculação, entre outros.

Os dois tipos estão presentes em todos os grupos musculares do organismo. No entanto, há o predomínio de um sobre o outro, dependendo do músculo e de fatores genéticos.

Para entender melhor vamos utilizar esses conhecimentos teóricos na prática, ou seja, que tipo de treinamento envolve as fibras musculares mais rápidas e as mais lentas?

As fibras musculares vermelhas usam a gordura como fonte de energia e em exercícios de queima calórica são precisamente estas as engajadas no trabalho. Já, as fibras musculares brancas são importantes para cargas de força e são elas as responsáveis pela hipertrofia muscular.

O texto acima elaborado é parte do trabalho de pesquisa sobre biotipos da * Drª. Eliana Pirolo, doutoranda do Departamento de Ginecologia Endocrinológica do Setor de Climatério da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina.

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