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Conheça mais sobre o funcionamento do intestino e como pode ser comparado com o cérebro!

A Surpreendente Conexão Cérebro-Intestino

Dr. Filippo Pedrinola*

O intestino é tão importante para o bom funcionamento do organismo que possui um sistema nervoso autônomo chamado sistema nervoso entérico, que começa no esôfago e se estende até o ânus. O número de neurônios desse sistema é de cerca de 100 milhões, quase o mesmo que em toda a medula espinhal; isso faz com que o intestino seja o único órgão do corpo humano capaz de executar funções sem necessitar do sistema nervoso central (cérebro). Essa autonomia permite captar informações, processá-las e responder de acordo com a necessidade do momento, ou seja, o intestino também processa, decide e executa tarefas tal qual o cérebro e são essas características que o fazem ser considerado um “órgão inteligente” ou “segundo cérebro”.

Cerca de 90% de toda a serotonina do organismo é produzida na mucosa intestinal. Esse é o neurotransmissor do “bem-estar” e qualquer estresse físico, mental ou emocional pode se refletir na aceleração ou desaceleração dos movimentos peristálticos (diarreia ou obstipação). O caminho inverso também é verdadeiro, ou seja, desequilíbrios da função intestinal podem levar o organismo a encontrar dificuldades de lidar com situações de conflito, podendo desencadear sintomas mentais e emocionais.

A estrutura que estabelece essa comunicação parece ser principalmente o nervo vago, que origina no tronco cerebral e inerva órgãos abdominais, podendo ser a via de transmissão dos sinais produzidos pela microbiota, levando informações sensoriais viscerais para o cérebro.

O sistema nervoso entérico é bidirecional, ou seja, sentimentos e emoções podem afetar o funcionamento do intestino, assim como um desequilíbrio da microbiota intestinal (disbiose) pode afetar nossas emoções e contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de quadros de ansiedade, depressão e até autismo.

Chamamos de microbiota intestinal ao conjunto de bactérias que normalmente habitam o intestino do ser humano; são cerca de 100 trilhões de microorganismos, centenas de espécies diferentes que equivalem a aproximadamente dois quilos de peso, ou seja, o equivalente ao peso do nosso cérebro.

A microbiota possui complexidade e função semelhante a um órgão humano e, para cada célula do nosso corpo existem 10 bactérias. A todo esse material genético dá-se o nome de microbioma que mantém íntima interação com o microbiama hospedeiro, constituindo o que se chama de simbiose, quando ambos se beneficiam.

Durante a gestação, a placenta bloqueia a chegada de qualquer micro-organismo para o bebê. Portanto, o intestino do feto é estéril e a sua colonização por bactérias se inicia com o nascimento e vai depender do tipo de parto e amamentação. Nesse período existem fatores que poderão contribuir para desequilibrar a microbiota, tais como: dieta inadequada da gestante, nascimento prematuro e parto cesariano. Durante o primeiro ano de vida, a alimentação em mamadeira por fórmula láctea e pouco contato com bactérias do meio ambiente (família pequena sem animais de estimação), uso de antibióticos e dieta inadequada são igualmente fatores de desequilíbrio da microbiota.

Em contrapartida, a gestante que adotar uma dieta saudável, o nascimento por meio de parto normal e amamentação no peito materno durante o primeiro ano de vida fazem com que haja uma formação da microbiota normal. Ao longo da infância, o contato com as bactérias do ambiente (família grande, animais de estimação) e alimentação variada e adequada também contribuem para a mesma causa.

Porém, com o aparecimento de doenças e a necessidade do uso de alguns medicamentos, pode ocorrer o desequilíbrio da microbiota. Nesse caso, devemos ingerir suplementos probioticos, prebioticos e simbiótico. Estes podem ser usados para prevenir a tratar diarreias associadas ao uso de antibióticos e diarreias agudas infecciosas. São também efetivos para aliviar sintomas da síndrome de cólon irritável e no tratamento de dermatite atópica em crianças.

O desequilíbrio da microbiota pode levar a alterações na permeabilidade intestinal, causada pela alteração da integridade da sua barreira celular. Essa situação permite a entrada de substâncias, antígenas (corpos estranhos no organismo) para a circulação, de forma que ocorre ativação do sistema de defesa levando à inflamação silenciosa causada pelo “vazamento” intestinal.

Esse estado inflamatório ocasiona o aumento da resistência à ação da insulina. Dessa forma, a suplementação probiótica aliada e a uma dieta equilibrada pode ser muito útil na reunião desse processo inflamatório silencioso.

 

*Dr. Filippo Pedrinola é médico endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO).

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