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Curiosidades de mergulho e montanhismo

Conheça os desafios de praticar alpinismo e montanhismo

Curiosidades de mergulho e montanhismoDr. Mauro Scharf, endocrinologista

Há uma crescente busca por uma atividade física pelas pessoas em geral e uma constante indicação do médico para que o paciente com diabetes pratique exercícios físicos regularmente. Com a finalidade de receber informações corretas sobre aprática seguraeadequada do esporte, será elaborado um protocolo que contará com a ajuda de especialistas de diversas áreas correlatas, para informar e orientar à sociedade médica e ao público leigo desde as noções básicas de exercícios corriqueiros até atividades radicais como mergulho e alpinismo.

Dois grupos de brasileiros provaram nos últimos meses que o diabetes está longe de ser sinônimo de temor e desânimo. Pessoas com a condição participaram da escalada de duas das maiores montanhas do mundo, enfrentando adversidades como a rarefação do oxigênio existente em altas altitudes e com isso, causando cansaço extremo, liberação de hormônios, que acarretam taquicardia e podem contra-regular a ação da insulina. O mal da montanha afeta o organismo humano seja ele diabético ou não e pode ainda causar cefaléia e aumento da pressão intracraniana, com vômitos e desidratação.

Outro problema a ser enfrentado diz respeito aos glicosímetros, os quais não foram totalmente testados em grandes altitudes e em temperaturas extremas. Em uma montanha nevada, a noite pode atingir temperaturas muito abaixo de zero, afetando o funcionamento de qualquer aparelho; baterias descarregam mais facilmente, alguns monitores, que operam com o sistema glicose-oxidase, dependentes portanto do oxigênio que na montanha está rarefeito, podem medir valores menores do que os reais. O gasto energético é muito grande e a hipoglicemia se torna um desafio importante a ser contornado e manejado.

Não há muitos estudos nos meios acadêmicos e científicos sobre a absorção e funcionamento da insulina, assim como o mecanismo de ação dos sistemas de infusão na altitude e em temperaturas extremas. O mais importante nessas expedições é saber transportar e armazenar a insulina, ter estoque de suprimentos seguros para eventualidades, observando a glicemia mais detalhadamente, principalmente em caso de uso de bombas de insulina, tendo em vista que o funcionamento mecânico pode também ser alterado, bem como as cânulas.

Todos esses obstáculos podem ser transpostos por atletas experientes, que conhecem muito bem seus corpos e suas reações. Preparam-se muito bem para tais desafios com bom planejamento, observação clínica, prevenindo a ocorrência de desidratação, hipoglicemia, utilizando-se de suprimentos e de materiais adequados e acompanhamento de experiente suporte médico.

Outro esporte que é válido mencionar é o mergulho, considerado como atividade de risco. Sua prática depende de treinamento adequado, obedecendo  normas internacionais que incluem certificações para sua prática realizada em duplas. Ter um parceiro que não tem o diabetes capaz de reconhecer os sinais de hipoglicemia e, preferencialmente certificação mínima de “rescue diver” são fundamentais. Alimentação adequada antes do mergulho e a monitoração da glicemia 60min, 30min, 10min e imediatamente antes de mergulhar são indispensáveis para a prática segura. Adiar o mergulho se a glicemia for menor que 150 mg/dl, maior que 300 mg/dl ou estiver entre esses valores, mas caindo progressivamente durante as medidas. Explanações sobre diabetes e conhecimento sobre os sinais de hipoglicemia, bem como de seu tratamento, devem ser obrigatórios ao grupo de mergulho e especialmente de sua dupla.

Adote um esporte, seja qual for a modalidade. Seja disciplinado e persistente e o beneficiado será você!

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