Dia dos Pais

Ser pai nem sempre é padecer no paraíso…mas o importante é sempre vivenciar junto os momentos da vida

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O sentimento que permeia as famílias no Dia dos Pais é de união, de fortalecimento dos laços de afeto, principalmente entre pais e filhos, nessa data. Nem sempre o dito popular “Ser pai é padecer no paraíso” condiz com a realidade. Dr. Balduino Tschiedel, endocrinologista e atual presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, aplicou bem esse caso na sua vida.

Quando seu filho Frederico tinha quatro anos e nove meses, percebeu que o menino tinha voltado a urinar durante a madrugada, mas achou que era um momento psicológico de volta das férias. Depois de uma semana, notou que seu filho estava mais magro e levou-o para o hospital para que pudesse ser atendido. Resultado dos exames, glicemia: 285mg/dl.

“Assim que aplicava insulina no meu filho, ia para o banheiro chorar, mas na frente dele sempre me via forte. Eu também me lembro de um episódio que passamos juntos, meu guri um dia parou de comer, colocou os cotovelos na mesa e de repente perguntou: Por que tenho diabetes? Eu respondi: Deus sempre escolhia uma criança por bairro para ter diabetes e emendei antes que ele perguntasse o motivo das irmãs não terem sido premiadas: Você é menino e mais forte! Lembro que ele se encheu de orgulho”, conta Dr. Balduino.

No começo do tratamento, o pai preferiu que o Dr. Jorge Gross tratasse seu filho. Depois retomou o tratamento dele até os 13 anos. “Frederico ficou um pouco mais rebelde a partir dessa idade e começou a questionar os procedimentos. Ele achava que sabia muito e por isso, não queria seguir as dicas que eu passava”.

Segundo o próprio Fred, “houve um certo conflito durante o tratamento, pois não queria contar para meu pai o que eu comia de errado e percebi que ele tinha receio de dar a medicação. Quando retomei o tratamento com o Dr. Gross, minha hemoglobina glicada melhorou muito”.

dia-dos-pais2Em 2000, Frederico foi um dos primeiros pacientes brasileiros a utilizar bomba de insulina. “Meu pai chegou um dia e me mostrou um estudo fantástico sobre a importância de utilizar o bolus prolongado no tratamento do diabetes. Quanto mais a insulina era liberada aos poucos, ao longo do dia, melhor ficava a hemoglobina glicada. Além disso, com a bomba, é muito difícil ter hipoglicemia. Esse fator me dá mais segurança para realizar as atividades”, relata Frederico.

“Um dia me perguntei por que tenho diabetes? Hoje eu sei que se eu não tivesse a condição, talvez meu pai não teria se motivado a criar o Instituto da Criança com Diabetes, que auxilia muitas crianças e jovens com diabetes no Brasil todo”, acrescenta Fred.

“Meu pai me deu e me dá segurança até hoje no tratamento, sempre me aconselha e me auxilia a me manter informado sobre todas as novidades com relação ao diabetes. Hoje ele tem conhecimento das prescrições do Dr. Gross, acompanha os exames, mas não se envolve diretamente no tratamento”, explica Frederico.

“Meu filho me motivou a criar o Instituto, que hoje atende quase 2.500 jovens com diabetes. Com o diagnóstico dele, pude sentir na pele o que os pais vivenciam quando um de seus filhos tem a condição, pois é muito mais fácil tratar pacientes, mas que não sejam seus filhos. Por isso, que para mim, ser pai é estar presente principalmente nos momentos difíceis e transmitir os bons exemplos para que possa tomar as melhores atitudes, de acordo com a educação que recebeu”, finaliza Dr. Balduino.

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