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Diabetes pode começar mais de 20 anos antes do diagnóstico, diz estudo

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Os primeiros sinais de diabetes mellitus tipo 2 podem ser identificados mais de 20 anos antes do diagnóstico, de acordo com uma nova pesquisa apresentada no Encontro Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) em Berlim, na Alemanha, publicado em outubro pelo pesquisador japonês Hiroyuki Sagesaka.

O estudo rastreou mais de 27 mil adultos, que não tinham diabetes, com idade média de 49 anos, entre o período de 2005 a 2016, onde foram analisados os índices de massa corporal, de glicose e de sensibilidade à insulina. Os resultados foram surpreendentes! Descobriu-se que o aumento da glicose em jejum, maior índice de massa corporal (IMC) e sensibilidade à insulina foram detectados até 10 anos antes do diagnóstico de diabetes, bem como pré-diabetes.

Como a grande maioria das pessoas com diabetes tipo 2 (DM2) passa pelo estágio de pré-diabetes, nossos achados sugerem que os marcadores metabólicos elevados para a doença são detectáveis mais de 20 anos antes de seu diagnóstico, essa foi a explicação do pesquisador no estudo.

Buscando uma compreensão maior da referida pesquisa, a endocrinologista Andressa Heimbecher explica com maiores detalhes o período conhecido como pré-diabetes. Segundo ela, é a condição que antecede o desenvolvimento do diabetes e pode ser reversível. O diagnóstico é feito com o exame de hemoglobina glicada entre 5,8 (maior ou igual) e 6,4. A curva glicêmica entre 141mg/dl e 199mg/dl de glicose, após a segunda hora do teste oral de tolerância à glicose (75g de glicose).

Ela concorda com os resultados do estudo, pois o DM2 é uma doença evolutiva, ou seja, ela começa com uma discreta alteração na insulina, elevação da resistência à insulina, glicemia de jejum alterada para então progredir para pré-diabetes e, finalmente, diabetes. Raramente no pré-diabetes, as pessoas apresentam sintomas. Referem-se a queixas vagas de cansaço, mal-estar e desânimo.

A importância do profissional de assunto no diagnóstico

O profissional de saúde precisa agir preventivamente, através de uma abordagem abrangente; conhecer os hábitos de vida do seu paciente – se ingere bebidas alcoólicas, se fuma, se consome alimentos industrializados ultraprocessados, que são extremamente calóricos. É preciso incentivá-lo a mudanças no estilo de vida, estimulando a prática regular de esportes e orientando na adoção de uma dieta balanceada composta por grãos integrais, verduras, legumes, frutas, carnes magras, oleaginosas e peixes ricos em ômega 3. Deve ainda orientá-lo para evitar o consumo de carboidratos simples, ou seja, os refinados brancos e o consumo de alimentos gordurosos, bem como os embutidos e enlatados.

“Temos de levar em consideração que, não somente os hábitos deflagram o desenvolvimento da doença, mas também há que se ter um terreno fértil para que ela ocorra, ou seja, a genética e a suscetibilidade do indivíduo; pessoas descendentes de orientais têm chance de desenvolvimento de alterações glicêmicas com aumento de peso bem menores que os afrodescendentes e hispano descendentes. Famílias com histórico de DM2 é fator de risco fundamental e, pensando nisso, as mudanças de hábitos devem ser definitivas”, alerta a Dra. Andressa.

Para o maior esclarecimento dos nossos leitores sobre o assunto em questão, a endocrinologista pediu que acrescentássemos um texto explicativo sobre como o hábito de acordar tarde pode aumentar o risco de ter diabetes, assim intitulado: “Acorda tarde? Isso pode estar atrapalhando o seu metabolismo!”

Cada um tem o seu ritmo de sono. Uns gostam de acordar bem cedinho, outros nem tanto. Isso define o que chamamos de cronotipo, uma característica individual que se refere ao comportamento da pessoa em relação ao sono. Pesquisas sugerem que indivíduos que tendem a ter o cronotipo vespertino, ou seja, dormem até mais tarde, tendem a desenvolver diabetes, síndrome metabólica e perda de massa muscular. Quando comparados aos madrugadores, os corujinhas são mais propensos a ganho de peso. A explicação para tal fato se deve à liberação do hormônio cortisol. Sabe-se que ele é disponibilizado assim que despertamos e, para quem acorda cedo, essa liberação hormonal é feita de forma mais harmônica ao longo do dia, o que ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue e regular o metabolismo. Para os que acordam mais tarde, a produção e liberação do cortisol ocorrem no meio do dia, fazendo com que o seu nível fique mais elevado por mais tempo. Esse desequilíbrio do hormônio somado à melatonina podem explicar o aumento do risco de doenças como o diabetes e a síndrome metabólica.

 

Hiroyuki Sagesaka, Yuka Sato, Yuki Someya, Yoshifumi Tamura, Masanori Shimodaira, Takahiro Miyakoshi, Kazuko Hirabayashi, Hideo Koike, Koh Yamashita, Hirotaka Watada, Toru Aizawa; Type 2 Diabetes: When Does It Start?, Journal of the Endocrine Society, Volume 2, Issue 5, 1 May 2018, Pages 476–484, https://doi.org/10.1210/js.2018-00071

Sobre o estudo: https://glo.bo/2Nqt2Wh

 

Veja mais:

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