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A efetividade do treino personalizado no condicionamento físico

treinabilidade

Há tempos que grandes médicos estudam e tratam as pessoas de forma personalizada, pois acreditam que cada ser é único, distinto dos demais, e como cada pessoa reage de forma diversa aos efeitos da mesma causa, a mesma regra se aplica ao condicionamento físico; alguns indivíduos apresentam respostas satisfatórias, ou seja, evolução marcante na arquitetura corporal; aumento da massa magra, diminuição da gordura e melhora na força e resistência, outros mostram reações mais lentas quando submetidos ao mesmo treino. A esta capacidade de melhorar diante do treinamento se convencionou chamar de “treinabilidade”. Existem, portanto, pessoas com maior ou menor treinabilidade.

“Acredito que por menor que seja o desenvolvimento na composição corporal, na resistência, na força ou em qualquer outra qualidade física que se conquista com a prática de esportes e, levando em conta o fato do aluno não apresentar piora em nenhuma delas, tendo o mínimo de controle de todos os índices, já considero um grande benefício. Lembrando que, o hábito de se exercitar deve perdurar por toda a vida, a mudança de estímulos e a alternância da metodologia podem alterar a reação dos praticantes com menor treinabilidade. Além disso, respeitando o princípio da individualidade, pilar que determina a resposta de cada indivíduo de maneira diversa frente ao estímulo, elaborar um treino específico baseado nas características constitucionais de cada pessoa, sem dúvida, representa a forma ideal para mudar o quadro de estagnação e velocidade de evolução de alguns esportistas”, explica o educador físico Emerson Bisan.

Quando falamos no princípio de alternância, usamos um período de destreinamento, ou seja, um processo programado, onde se reduz as cargas de exigência para que os próximos estímulos sejam absorvidos com sucesso. “Com o aumento da carga feito de forma progressiva, induz o corpo a se adaptar e se modificar, é claro que essa etapa inclui descanso e alimentação adequados, esclarece Emerson.

Desvendando os modelos de resposta ao treinamento físico

Existem ainda os chamados “não respondedores”, pessoas que não respondem em absoluto ao treinamento físico, o extremo em termos de baixa treinabilidade, conceito este que ganhou mais destaque a partir da publicação do estudo HERITAGE (*1,2), um trial pivotal dentro da medicina esportiva. Trata-se de praticantes que, apesar de submetidos a um programa de treinamento, não evoluem do ponto de vista da condição aeróbia e, por vezes, podem apresentar até piora dos parâmetros metabólicos tais como: perfil lipídico, pressão arterial e sensibilidade à insulina. Este perfil ocorre em cerca de 20% das pessoas. Muitas hipóteses tentam explicar tal fenômeno, dentre eles destacamos predisposição genética, erro por parte do profissional de educação física na prescrição do treino, má adesão do esportista ao que foi proposto, dentre outras. Porém, o que se descobriu é que quando se aumenta o volume ou a intensidade do treinamento e quando se estende o período do mesmo para além de 20 semanas, é possível reduzir a zero o número de não respondedores.

Concluindo, podemos entender que a imensa maioria dos praticantes de atividade física (ou talvez todos) consegue melhorar sua capacidade física aeróbica quando submetidos a um treino duradouro, intenso e variado o suficiente em termos de modalidades incluídas.

Segundo o educador físico Emerson Bisan, as pessoas com diabetes terão boa performance desde que avaliem diariamente sua condição, atuando no controle glicêmico para evitar eventuais hiperglicemias e hipoglicemias antes, durante e após os treinos.


bisanEMERSON BISAN

É atleta e treinador de alto nível, é portador de diabetes mellitus tipo 1.

 

 

Referências:

* 3) Skinner JS, Jaskólski A, Jaskólska A et al. Age, sex, race, initial fitness and response to training: the HERITAGE Family Study. J Appl Physiol (1985) 2001;90(5):1770-6

4) Bouchard C, An P, Rice T et al. Familial aggregation of VO2max response to exercise training: results from the HERITAGE Family Study. J Appl Physiol (1985) 1999;87(3):1003-8

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