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Em que momento os filhos podem ter autonomia para realizar o tratamento do diabetes e ir aos médicos sozinhos?

Médico FilhoQuando os pais podem dar autonomia aos filhos para que possam realizar o tratamento com diabetes? A resposta está relacionada com a maturidade, com a segurança ou com a idade? Como controlar a ansiedade dos pais ao quererem saber a toda a hora o controle da glicemia? Para falar sobre estes temas, a psicóloga da ADJ Diabetes Brasil, Guacyra Guaranha, concedeu uma entrevista para o Portal De Bem com a Vida.

O melhor parâmetro que os pais devem seguir para saber se é o momento do filho ter autonomia para se cuidar é relatado por Guacyra. “As crianças pequenas apresentam pensamento mágico e comportamento egocêntrico, dependendo de outras pessoas para sobreviverem. Antigamente,  acreditava-se que o senso de responsabilidade podia se desenvolver a partir dos sete anos de idade, e algumas crianças começavam a perceber que podiam ser responsáveis pelos próprios atos e que existe uma consequência para uma determinada ação. Além disso, percebia-se também que aos 12 anos, a criança tentava avaliar seus comportamentos e fazer escolhas sobre o que é bom ou mal para seu corpo. Hoje em dia, as crianças aprendem a se conhecer com maior facilidade e em menor tempo de vida. Assim, atualmente elas entendem o que é um diabetes e como cuidar do corpo e saber reconhecer hipoglicemia e hiperglicemia para conseguir desenvolver maior autonomia no tratamento de diabetes. Portanto, não existe idade ideal para um filho se cuidar sozinho. A necessidade é subjetiva e pessoal. O próprio jovem determina o momento propício e seguro para ter autonomia para cuidar ou não do diabetes”.

Com relação à idade dos filhos com diabetes irem sozinhos ao médico, Guacyra explica “não existe um parâmetro padrão. O momento ideal para um filho entrar sozinho em uma consulta médica deve ser estabelecido pelo médico e o paciente. Existe uma tendência natural de um jovem querer conversar com o médico coisas que não quer contar em casa e que pode conversar com um amigo. Naturalmente, o pedido para entrar sozinho na consulta deve acontecer”.

Mas antes que a autonomia seja conquistada pelos filhos, os pais podem colaborar para que a relação não se desgaste e se tornem parceiros do filho no controle do diabetes. “Geralmente os adolescentes apresentam muito gasto calórico. Um dia nunca é igual ao outro, apresentando controles glicêmicos alterados. Existem encontros e desencontros, rotinas diferenciadas, agitação, tédio, sentimentos confusos, euforia e depressão. Atingir metas ideais de glicemia nem sempre é fácil. O adolescente sabe que é responsável pelo seu corpo e que pode estabelecer com seus pais e cuidadores estratégias de boa convivência e metodologia adequada para o autocuidado. O diálogo franco e aberto entre pais e filhos e criação de regras e acordos, que devem ser cumpridas por todos, podem acalmar pai e mãe, diminuindo ansiedade e angústia”.

“Os pais sentem muitas vezes receio e ansiedade, principalmente após o diagnóstico do diabetes. “Pode se dizer que o maior medo de um familiar que tem um jovem com diabetes em casa é o desenvolvimento de uma complicação, como cegueira e amputação de membros inferiores. É importante trabalhar prevenção para evitar complicação. Pai e mãe geralmente desejam manter a ordem geral na casa e querem determinar o que é melhor para os filhos, tornando-se chatos. Para que os pais não se tornem pessoas insuportáveis, é preciso reconhecer limites de autoridade e conhecer as reais vontades e desejos do filho. Pais descontrolados despertam rejeição, ira, mau humor, autoestima baixa e rebeldia quando exigem um controle,  que eles não são capazes de fazer sozinhos. Ajuda mútua facilita uma boa relação.”, esclarece a psicóloga.

Além da relação pacífica, os pais podem ajudar muito o tratamento do diabetes. “Pais devem ter amor e carinho por seus filhos. Todos eles podem trabalhar para que exista um bom tratamento, por meio de orientações médicas e dos diversos profissionais de saúde que o acompanham. É importante conversar sobre como realizar tarefas pré-estabelecidas para cuidar do corpo e da mente e entender que pais e filhos almejam coisas diferentes. Trocar experiências de como se sentem em relação à doença faz com que um pai consiga proteger seu filho sem exagerar no controle. Em contrapartida, os adolescentes podem informar os pais sobre o que pensam em fazer e locais que pretendem frequentar. Dizer que querem seguir e respeitar regras pré-determinadas podem fazer um pai  feliz e tranquilo. Para ser feliz é preciso cuidar da saúde com sabedoria e boas informações”, depõe Guacyra.

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