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Hemoglobina Glicada x Medição da Cetona

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Saiba a diferença e os sintomas

A hemoglobina faz parte das células vermelhas do sangue, ou seja, das hemácias, dando cor a elas, transportando o oxigênio do ar (quando inspiramos). Enquanto “passeiam” pelo organismo, unem-se às moléculas de glicose, e quando esse encontro ocorre, dizemos que ela está “glicosilada” ou “glicada”.

Esta versão “casada” da hemoglobina permanece no sangue durante todo o tempo de vida média das hemácias, que gira em torno de 90 dias e por esta razão, o exame deve ser realizado trimestralmente ou no máximo a cada quatro meses, embora a estimativa de glicemia média seja mais realista entre as quatro e seis últimas semanas. Gestantes devem realizá-lo a intervalos menores, entre dois e três meses.

Segundo Dr. Ricardo Fernando Arrais, Professor Associado do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), deve ser coletado em jejum simples (8-10 horas) cerca de 3-4 ml de sangue para a realização da avaliação, idealmente por HPLC (cromatografia líquida de alta performance) ou método análogo certificado,  que permita a comparação com dados sequenciais.

O resultado de um exame de hemoglobina glicada (HbA1c) indica qual a porcentagem das hemoglobinas que estão unidas à glicose nos últimos 90 dias. Atualmente, o consenso entre várias entidades médicas nacionais e internacionais é o de que um valor acima de 6,5% com glicemia média estimada em 140mg/dl, a interpretação diagnóstica indica a presença de diabetes. Entre 5,7 e 6,4% o resultado aponta a presença de risco aumentado de desenvolvimento de diabetes (pré-diabetes) e valores abaixo de 5,7% ausência de diabetes.

“Todos os pacientes com diabetes, independente do tipo, precisam ser disciplinados para realizar de três a quatro aferições de hemoglobina glicada por ano,  sempre complementando com automonitoramento glicêmico, para medir no cotidiano as variações glicêmicas, fundamentais para ajustes terapêuticos pontuais e na execução da contagem de carboidratos”, aconselha Dr. Ricardo.

Outro assunto que gera dúvidas entre os leitores do Portal, diz respeito à cetoacidose. Para entender como evitá-la, precisamos saber primeiro o que são cetonas.

Afinal, o que são cetonas?

São compostos orgânicos, altamente ácidos, gerados pela oxidação principalmente de gorduras. Sua importância no paciente com diabetes deve-se ao fato de ser um marcador bioquímico da lipólise (degradação de lipídios em ácidos graxos e glicerol), que é desencadeada pela falta de ação, normalmente pela baixa disponibilidade de insulina, fazendo com que o organismo desencadeie o processo de obter energia de outras fontes alternativas à glicose, trazendo como consequência um grande aumento da acidificação do organismo, processo que se não for revertido a tempo, leva à cetoacidose diabética

Alguns glicosímetros permitem aferir a cetonemia, que seria indicativo da utilização de substrato energético da queima de gordura (lipólise), sinalizando principalmente a falta de insulina ativa. Os métodos procuram medir o beta hidroxibutirato, que guarda maior correlação com o processo metabólico da lipólise. Portanto, medir a cetona no sangue oferece métodos mais precisos em relação aos utilizados na urina, os quais se utilizam de fitas de teste colorimétricas, com maior imprecisão. Se houver disponibilidade da aferição de cetonemia, ela deve ter preferência sobre a cetonúria.

“A utilização de gorduras (lipólise) produz compostos ácidos (cetonas), que por sua vez desencadeiam uma tentativa de compensar essa acidose com um gasto maior do bicarbonato (que é alcalino) pelos rins, bem como um trabalho pulmonar, de aumento de frequência e amplitude respiratória, que promove uma alcalose respiratória (chamada de respiração acidótica, padrão de “Kussmaul”) muitas vezes confundida erroneamente com crise asmática em pacientes com a primeira descompensação, ainda sem diagnóstico fechado. Também a cetonemia tende a provocar dor abdominal de moderada a intensa, por ação direta em receptores na inervação sensitiva em parede abdominal e diafragmática, podendo simular um quadro de abdome agudo, eventualmente levando à realização de cirurgias de emergência desnecessárias e perigosas. O fato de evoluir muitas vezes de forma rápida e com clínica variada de um indivíduo para outro, faz com que a cetoacidose tenha ainda taxas de mortalidade relativamente altas, a despeito de tudo o que já se conhece sobre o mecanismo e da qualidade de suporte e tratamento hoje disponíveis, mesmo em centros avançados”, explica o Dr. Arrais.

Sintomas

Queda no estado geral com cansaço, falta de ar, dores musculares principalmente abdominais, náuseas, vômitos, aumento do volume urinário (poliúria), que se não forem rapidamente identificados e corretamente conduzidos, levarão a uma desidratação grave, choque, coma e morte.

Finalizando a matéria, perguntamos ao pediatra como podemos evitar a ocorrência de cetoacidose e ele assim respondeu:

“Cabem duas respostas, uma para o nível individual e a outra para o epidemiológico. Para uma pessoa sabidamente com diabetes, basta procurar manter bom controle, tendo boa aceitação da condição e dar mais atenção em situações de risco (infecções, traumas), além de cuidado redobrado em usuários de bombas de insulina, onde a interrupção da infusão, seja acidental ou intencional, desencadeia em pouco tempo a falta de insulina no organismo, já que não há a insulina basal atuando nestes indivíduos. Em nível coletivo, epidemiológico, uma boa atenção primária, onde pacientes novos sejam melhor identificados nos primeiros sinais e sintomas, evitariam certamente a grande ocorrência de cetoacidose como primeiro sinal da doença em países onde esta atenção é deficitária ou no mínimo muito assimétrica, como ainda é o caso no Brasil”.

Veja também: 

Confira os benefícios que os exames de hemoglobina glicada proporciona quando é feita a cada três meses

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