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Influência da música

Música otimiza terapia e contribui para o controle da glicemia

A música nos remete a mudar o foco das atenções, a abrir uma nova percepção e novo contato com a realidade, estimulando alterações tanto cerebrais quanto corporais (sentir/pensar/expressar).  Podemos encontrar vários estudos e pesquisas no Brasil e em outros países sobre o uso da música e seus elementos na área da saúde, beneficiando muitos pacientes em recuperação.

O conceito de Musicoterapia surgiu durante a Segunda Guerra Mundial. De forma “espontânea” a música era usada em ambientes onde se encontravam os feridos, despertando a atenção e curiosidade em médicos e cuidadores pelas reações positivas que estes feridos passavam a apresentar.

No Brasil, os cursos realizados com esse fim foram fundados, em 1971, no Paraná e Rio de Janeiro e, em 1980, a Universidade Federal do Rio de Janeiro iniciou a Prática Clínica da Musicoterapia, uma carreira de nível superior, reconhecida pelo Conselho Federal de Educação desde 1978.

Segundo a musicoterapeuta Marilisa Galvão Basso de Oliveira, formada na Faculdade de Musicoterapia (FPA) e pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em piano, “desde o período de nossa gestação temos contato com “sons” sendo a audição, o primeira dos cinco sentidos a se desenvolver nesta fase”.

O bebê pode perceber todos os sons intrauterinos e os sons externos, do ambiente onde a futura mamãe vive como tambem é capaz de perceber as sensações e emoções que a mamãe sente. Dessa forma, de maneira geral, a formação da identidade sonoromusical e personalidade do bebê se iniciam desde o período de gestação e consciente ou não dela, fará parte de toda a sua vida, influenciando no gosto musical, no ritmo biológico e em outras formas de seu desenvolvimento humano.

“De maneira geral, o exercício de uma atividade, seja física ou intelectual, implica na ocupação de um tempo. Quando determinamos o tempo, estamos de forma consciente ou não, atribuindo um ritmo a ele e dentro deste ritmo usamos nossa capacidade e condição pessoal para realizar o que nos propomos. Ter consciência do ritmo interior e saber adaptá-lo às necessidades pessoais e da vida traz um ganho de energia, um estado de equilíbrio e bem-estar. Escutar a si mesmo, vivenciar, explorar, se permitir ao novo e se conscientizar sobre novas descobertas permitem entrar em contato com o mundo interior,  com as próprias emoções e impulsos, alterar o comportamento e o modo de interação com o ambiente”, complementa Marilisa.

Esta experiência foi vivenciada por Alexei Caio, 36 anos, 32 deles com diabetes. “Aprendi a gostar de música, devido à influência de minha mãe russa, que tem embasamento clássico. Sempre gostei de sentir meu corpo de acordo com o ritmo musical e percebi que a reação muda de acordo com a batida”.

“Consigo identificar o que meu corpo quer ouvir dependendo do dia e da hora, mas muitas vezes experimento outros ritmos para testar o meu organismo e perceber o desempenho deles nas minhas atividades físicas. Já consegui ter bons resultados em corridas ouvindo tanto ritmos clássicos quanto eletrônica”, explica Alexei.

Marilisa comenta os benefícios da música em nossas vidas, “recupera e exalta a sensação de ‘sentir-se vivo’, coloca em contato com um estado interno saudável, eleva a autoestima, controla e diminui o estresse,nos permite novos movimentos,facilita a expressão de sentimentos, desperta emoções, altera o estado de humor, fortalece a esperança e a confiança, acalma, equilibra e agita. No momento em que vivenciamos a música o estar doente se torna secundário e novos potenciais podem ser despertados.”

Por isso, Marilisa esclarece aspectos com relação ao diabetes, “a necessidade de mudança na rotina de uma pessoa com diabetes gera a necessidade de adaptação ao novo e muitas vezes isso é bastante difícil, em geral temos resistência às mudanças em nossas vidas. Além disso, a própria descoberta da doença e de todo um estado emocional, que pode ser abalado em decorrência disso, resulta em estresse, que se não for conscientizado e trabalhado, pode dificultar ainda mais o resultado positivo de um tratamento”.

“Sabe-se que, quando os hormônios do estresse são liberados, o nível de glicose sobe e fica mais difícil de controlar. Por isso, o uso da música e de seus elementos, sob a orientação de um profissional habilitado, irá facilitar esta pessoa a reencontrar seu equilíbrio interno, por meio de relaxamento, de estímulo ao novo e à criatividade, de novas descobertas e possibilidades, do reconhecimento de seu potencial. Isso poderá estimular um aumento de força e coragem para realizar transformações necessárias à nova vida”, complementa Marilisa.

Desde 2008, Alexei participa de um grupo de estudo, conduzido por Marilisa, que tem a proposta de despertar o potencial e a musicalidade interna de cada participante, assim como formas de expressá-la individualmente e em grupo buscando incentivar a criação e a composição musical.

“Este grupo fez com que eu tivesse mais consciência sobre como o corpo reage diante da música. Além disso, consigo diminuir o estresse, tenho um humor melhor e mais relaxamento. Como resultado, a ação dos hormônios contrarreguladores diminui a sua ação e a glicemia fica mais estável”, adiciona Alexei.

Marilisa faz mais um comentário: “a prática sonora e musical desenvolvida desperta um potencial inato, até então muitas vezes desconhecido. Reconhecer, expressar e dar forma a esse potencial, por meio dos elementos musicais, como silêncio, som, ritmo, melodia e harmonia, amplia a consciência para novas possibilidades, aprofunda o conhecimento sobre si mesmo, do outro e do ambiente, resgata a criatividade, estimula o aspecto cognitivo, favorece vivenciar estados afetivos. Estes fatores contribuem positivamente a vários aspectos da vida pessoal, seja social, psicológico, emocional e/ou físico”.

Quem quiser saber mais detalhes sobre a temática, pode acessar: www.musicadobem.com.br.

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