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Lua de Mel com Diabetes II

O diálogo é essencial para o entendimento da criança e de sua família para superar a insegurança da fase de Lua de Mel.

É muito comum os profissionais de saúde serem entrevistados para falar sobre diabetes ou qualquer outra doença. Existe, em geral, um certo distanciamento destes com o tema, o que facilita os comentários sobre o assunto, pois não há um envolvimento direto com a condição. Agora, quando um desses profissionais tem o diagnostico de diabetes ou tem alguém muito próximo e querido com esta condição, nem sempre se sente dispostos a expor essa situação para a sociedade.

Esse não foi o caso de Graça Camara, presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e coordenadora do Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). A profissional tem dois filhos e ambos desenvolveram diabetes na infância e ela própria foi diagnosticada aos 39 anos.

Sua filha Renata Camara, hoje endocrinologista, e seu filho Alexandre de Carvalho Camara, gerente de negócios, passaram pela fase de Lua de Mel. No caso de Alexandre, esse período durou um ano e no de Renata alguns meses. No caso de sua filha, com a diminuição de insulina, Graça teve a sensação de que estava ficando curada, mas logo teve de cair em si, quando todos os sintomas carcaterísticos voltaram à tona.

Alexandre, o filho mais  velho,  desenvolveu diabetes, 2 anos após o diagnóstico de Renata. Graça comenta o diagnóstico de Alexandre, “ele era muito sensível e apesar de pequeno, tinha muita preocupação com a irmãzinha… quando tivemos seu diagnóstico, ele não reclamava muito…só não gostava de adoçante e preferia muitas vezes não beber leite, do que adoçá-lo sem ser com açúcar. Quando tentávamos explicar o porquê, dizia que era ruim e nos questionou porque nós não tomávamos, para ver como era ruim. Então, foi aí que comecei a usar adoçante junto com ele (eu ainda não tinha diabetes)”.

Para Graça, os pais podem ajudar muito seus filhos nessa fase, “primeiro tentando entender o diabetes e explicando à criança claramente o que acontece com seu corpinho e a necessidade de mudança de alguns hábitos. Falávamos sempre com o Alexandre a respeito. O diálogo deve ser claro, não adianta florear e nem relacionar os ajustes de doses da insulina a comportamentos dele. Muitos pais se  empenham em prorrogar o período de Lua de Mel, restringindo e/ou sendo mais rígidos com a alimentação e demonstrando sua frustração e medo para a criança”. A “Lua de Mel” é simplesmente uma das etapas da instalação do diabetes”.

No caso de crianças, os pais “precisam ter consciência em tentar manter a seriedade e compreender que esta é uma fase que pode ser curta ou mais longa e que a condição do seu filho com ou sem insulina é a mesma: Diabetes tipo 1. No caso de jovens ou adultos, é necessário ter compreensão e clareza na situação e tentar levar uma vida normal, diminuindo a ansiedade da ‘espera'”, explica Graça.

A ajuda de um psicólogo pode ser o diferencial, “ele deve trabalhar o controle da ansiedade. Cada pessoa é uma pessoa, cada família é uma família. As dinâmicas podem variar muito em função da idade, do nível de compreensão da família e da pessoa, do profissional responsável pela prescrição além do trabalho de uma equipe profissional. É essencial que transmita à família que diabetes é uma condição que exige toda uma vida de mudança de comportamentos e adaptações, mas dá pra conviver e bem”, pontua Graça

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