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Mais um aliado no controle da glicemia: Cromo!

Ação do Cromo no Controle da Glicemia

Os sais minerais atuam em parceria com as vitaminas. Esses nutrientes são considerados inorgânicos, pois não podem ser produzidos por seres vivos, por isso através do consumo de uma dieta equilibrada composta por frutas, verduras, legumes, grãos, proteína vegetal, proteína animal, entre outros ingredientes, podemos adquiri-los.

Os minerais são considerados cofatores importantes para que várias reações bioquímicas ocorram dentro do organismo cumprindo múltiplas funções tais como: colaborando no crescimento, na defesa imunológica, na formação dos ossos, dentes, tecidos, músculos, sangue, na prevenção de doenças e no bom funcionamento de vários sistemas.

“A principal função do cromo é atuar no metabolismo da glicose facilitando sua entrada na célula”, declara o clínico geral e nutrólogo Roberto Navarro.

Portanto, o cromo trabalha auxiliando a insulina, hormônio secretado pelo pâncreas e responsável pela distribuição do açúcar que vem dos alimentos para o interior das células. Quando o nível de insulina está alto indica que não está cumprindo sua função adequadamente, ou seja, a glicose está em demasia no sangue (hiperglicemia) e, quando a célula sente a falta do açúcar, fonte de sua energia, manda um recado de fome, fato que induz a pessoa a comer novamente.

Quando comemos os carboidratos refinados (pão branco, doces, massas), pobres em fibras, eles acabam sendo absorvidos rapidamente no intestino e a fome aparece em pouco tempo; o mesmo não acontece com os carboidratos complexos que, por serem ricos em fibras trazem nutrientes, inclusive o cromo, que retardam a absorção.

O mineral, associado com outros nutrientes, forma uma molécula chamada Fator de Tolerância à Glicose (FTG), que potencializa o efeito do hormônio insulina na sua função de transporte do açúcar; se o fator de tolerância não é formado, a pessoa passa a ter intolerância à glicose, o que dificulta a entrada do açúcar na célula. Se a função da insulina está prejudicada, através da falta de cromo, que é um facilitador da ação desse hormônio, o açúcar não é acoplado na célula e fica um excesso de insulina no sangue (liberada ao ingerirmos carboidratos refinados) que, em quantidade excessiva tem poder inflamatório e de formar tecido adiposo, ou seja, gordura.

Estudos recentes em países ocidentais mostraram que o consumo do cromo é menor que a quantidade diária recomendada. Atualmente estima-se que 90% dos norte-americanos com mais de 50 anos de idade têm deficiência em cromo. No Brasil, a deficiência é bem semelhante. É preciso levar em conta que o nível do mineral diminui com a idade. Além disso, menos de 1% do cromo ingerido é absorvido; é eliminado pelo suor, por isso as pessoas que “malham” e têm sudorese excessiva podem apresentar deficiência.

Fique atento se você tiver fome excessiva, necessidade de comer pães e doces e se apresentar crises de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue); esses sinais e sintomas podem indicar a falta de cromo. Homens adultos devem ingerir em média de 30 a 35 mcg por dia e mulheres adultas entre 20 a 25mcg por dia.

Encontramos as principais fontes do mineral em muitos alimentos, tais como:  mariscos, ostras, fígado, queijos, grãos integrais, frutas, feijão verde, espinafre e brócolis, levedo de cerveja, germe de trigo.

Segundo o Dr.  Roberto “Existem estudos que comprovam que a deficiência do mineral promove maior risco de formação de placas de gorduras nas artérias, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e também maior incidência de diabetes tipo 2”.

Ainda o Dr. Navarro afirma que “ não existe uma recomendação oficial de suplementação de cromo, porém algumas pessoas são consideradas “grupos de risco” para a carência do mineral como os indivíduos que consomem em excesso alimentos refinados e açúcares, atletas, gestantes, idosos, pessoas que fazem uso contínuo de alguns medicamentos que diminuem a absorção do cromo como antialérgicos, omeprazol e similares (pantoprazol, lanzoprazol), betabloqueadores. Nestes casos a suplementação pode ser benéfica e na prática se utiliza de 25 a 75mcg de suplemento ao dia”.

É importante esclarecer que a suplementação de cromo deve ser evitada às pessoas com problemas no fígado e rins e está contraindicada aos indivíduos com diabetes tipo 1 e tipo 2 que fazem uso de insulina, pois o cromo pode potencializar exageradamente a entrada da glicose nas células gerando hipoglicemia.

Algumas substâncias podem aumentar ou diminuir a absorção do cromo. As vitaminas C e B3 e as proteínas proporcionam aumento, enquanto os suplementos em altas doses de ferro, zinco e vanádio e os fitatos diminuem a sua absorção.

“Em excesso o cromo pode atingir níveis tóxicos no sangue, isso só acontece com o uso de suplementos e não propriamente com alimentos. Doses suplementares acima de 200mcg por dia gera risco de toxicidade, tendo como sintomas: distúrbios do sono, alteração do humor e dores de cabeça”, alerta o nutrólogo Roberto Navarro.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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