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Medir a glicemia com frequência ainda é a principal conduta para prevenir a maioria das complicações. Entenda os motivos neste texto!

Complicações agudas associadas ao Diabetes – Parte I

Drª Mônica Gabbay

As complicações agudas mais frequentes relacionadas ao diabetes são a hiperglicemia associada à cetoacidose e as hipoglicemias noturnas, especialmente as graves associadas à convulsão. Como preveni-las?

Medir a glicemia com frequência é uma das condutas preventivas a serem adotadas, se levarmos em consideração os pacientes que podem utilizar o sensor que monitoriza a glicose ou aparelhos de glicemia, que podem medi-la por mais vezes ou pacientes, que têm mais adesão, ou seja, quanto maior o número de ponta de dedo, maior será a facilidade de observar a tendência de glicemia.

A hipoglicemia é diferente na maneira de se manifestar em uma criança pequena em relação aos adolescentes ou adultos; especialmente os lactentes não apresentam grandes sintomas, às vezes irritabilidade ou sono fora de hora. Por isso, nessa faixa etária se opta pelo uso de sensor que ajuda a minimizar esse quadro. Um dos fatores importantes é a escolha do tratamento, ou seja, o tipo de insulina a utilizar. Somos absolutamente contra o uso de insulina regular especialmente em crianças menores de 10 anos pelo tipo de ação, porque não é uma insulina rápida e sim de curta ação. Então, o ideal para minimizar os riscos de hipoglicemia é utilizar ou os análogos de longa ação associados à insulina ultrarrápida ou uma bomba de infusão de insulina, onde esta leva vantagem pela presença do bolus inteligente, onde se coloca tanto a glicemia, razão de carboidrato de insulina, o fator de sensibilidade e os objetivos glicêmicos, além de um fator adicional que é a insulina ativa, impedindo que a pessoa hipercorrija uma glicemia alta e com isso evitando o excesso de insulina.

O médico ainda tem por obrigação orientar os pais a informar na escola o problema de saúde de seus filhos. Sabendo que a criança tem diabetes, os professores e todos os profissionais envolvidos poderão observá-la melhor, medindo ponta de dedo com frequência e ficando atentos para qualquer sintoma apresentado pela criança. Eles precisam ter preparo para saber corrigir episódios de hipoglicemia, lembrando que essa correção pode ser feita ingerindo 15 g de carboidrato, seja através de um sachê de glicose ou um copo de suco de laranja ou meio copo de refrigerante comum.

Devemos tomar cuidado com os excessos. Na aflição de corrigir rapidamente os sintomas desagradáveis apresentados pela hipoglicemia, a pessoa acaba ingerindo carboidratos em demasia e, sem queimá-los, pode “saltar” de um quadro de hipoglicemia para um de hiperglicemia, o que torna prejudicial à saúde.

Outra dica importante que os pais precisam se ater na prevenção da hipoglicemia é focarem-se nos cuidados especiais nos dias de atividade física. Para as crianças que usam bomba é muito mais fácil, pois têm opção de usar um basal temporário que pode diminuir a infusão de insulina no momento do exercício. Para as que utilizam insulina de longa ação análogo, orienta-se que diminua a dose de insulina basal ou quando o esporte for realizado imediatamente após almoço ou jantar, deve-se diminuir a insulina bolus de 30% a 50% para prevenir a hipoglicemia do exercício. O mesmo se aplica para crianças, que irão passar o dia todo brincando no parque, para isso, é necessário diminuir a insulina basal.

A hiperglicemia é mais frequente em adolescentes por omissão das doses de insulina, por falta da frequência de monitorização de glicemia capilar e nos pequenos, ela ocorre quando estão submetidos a um foco infeccioso associado à febre e a quadros respiratórios. A criança fica mais sujeita a apresentar desidratação, cetonas, o que irá facilitar o seu descontrole metabólico. Na presença desses quadros, deve-se aumentar a insulina basal em cerca de 20% e às vezes também é necessário aumentar a dose bolus.

Porém, quando a infecção é associada à diarreia e ao vômito, a conduta é diminuir a dose basal em torno de 20% e preocupar-se com a adequada hidratação, oferecendo alimentos mais fáceis de serem ingeridos como sopas, sucos e caldos.

Não podemos deixar de mencionar que pode ocorrer hipoglicemia por dose excessiva de insulina gerada por erro de administração ou de cálculo na aplicação de bolus, em alguns casos por omissão de refeição, pelo exercício físico e sono. Muitas pessoas têm hipoglicemia noturna que nem sempre são possíveis de correção com ajuste da insulina basal e diminuição do bolus noturno, e o uso de bombas de infusão de insulina, como basal em pequenas doses e ajustável por hora é possível controlar a glicemia.

É muito importante esclarecer a ocorrência das hipoglicemias assintomáticas. Pessoas com diabetes há muitos anos e que fizeram muitos quadros hipoglicemiantes acabam por perder a sensibilidade em perceber quando estão hipoglicêmicas. Isto ocorre devido às alterações hormonais. Na medida em que o indivíduo vai tendo muitas hipoglicemias, ele não consegue liberar os hormônios contrarreguladores como a adrenalina e epinefrina que sinalizam sintomas de fome, sudorese, taquicardia e que possibilitam à pessoa perceber que está com hipoglicemia e tomar providências para corrigir tal estado. Isto foi demonstrado em pacientes, que convulsionaram e utilizavam sensor de monitorização contínua, onde foram constatados episódios hipoglicemiantes dois dias antes da ocorrência da convulsão e não foram sentidos pelo indivíduo.  Nestes casos, uma monitorização frequente e evitando a hipoglicemia por duas a três semanas, geralmente permite a volta de alguns sintomas que sinalizam a hipoglicemia.

 

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