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Nunca é tarde para se tornar protagonista da sua história

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Há 28 anos, a esteticista Solange Bussas descobriu que tinha diabetes mellitus tipo 1. Como para a maioria das pessoas, receber o diagnóstico de uma doença crônica não foi nada fácil; a notícia foi impactante, pois naquela época, pouca informação se tinha sobre a condição que, aliás, até os médicos davam poucos esclarecimentos, apenas indicavam dietas extremamente restritivas e deixavam a mensagem de que a vida seria muito limitada.

Apesar das dificuldades Solange não se deixou esmorecer. Procurou por ajuda especializada, onde o seu endocrinologista, profissional extremamente competente, a informou sobre todas as características da doença; se por um lado teria de fazer algumas restrições para controlar a glicemia, de outro ganharia qualidade de vida para futuramente ver os filhos casados, conhecer os netos e acompanhar a família por muitos anos.

“No início tudo foi difícil, desde a aceitação da doença até banir meus hábitos nocivos. Passei por períodos de grandes mudanças e questionamentos. Achava que estava me cuidando de forma correta, mas na realidade não era isso o que eu fazia. Mergulhei de cabeça para corrigir meus vícios – parei de fumar, de consumir bebidas alcoólicas, adotei a contagem de carboidratos e passei a praticar atividade física de forma constante e regular; há dez anos, venho me exercitando cinco vezes por semana e até aos sábados, quando na academia adicionam aulas especiais, não deixo de comparecer. Às vezes sobra “pique” para correr ou caminhar aos domingos. Todo esse foco e motivação se devem ao fato de querer viver e não deixar que nenhuma sequela da doença possa me atingir”, explica Solange.

Além da alimentação balanceada e da prática de esportes constante, ela passou a fazer as medições da glicemia capilar mais vezes durante o dia sem preguiça e nem constrangimentos.

Aceitando a condição

Solange nunca encontrou dificuldades para mudar o rumo de sua trajetória. Escolheu a Biologia para iniciar a sua carreira universitária, mas percebendo que não era a sua real vocação, desistiu do curso e iniciou uma segunda tentativa para a sua formação profissional. Desta vez se dedicou à instrumentação cirúrgica, na qual colaborou para dedicar-se integralmente à Estética. A escolha não poderia ser melhor! Visivelmente, é uma mulher vaidosa, preocupada com a sua imagem e que procura estar bem para atender os seus clientes da melhor forma possível.

Ter diabetes nunca a impossibilitou de realizar os seus desejos, inclusive de ser mãe. “Considero minhas gestações como milagres divinos! Engravidei pela primeira vez quando há oito meses tinha sido diagnosticada com diabetes mellitus. Na época, pouca informação se tinha sobre o diabetes gestacional e eu fui a primeira paciente com a doença do meu ginecologista e obstetra. Tamanho foi o medo de causar algum dano à criança, que comia muito pouco, já que tudo era proibitivo. Usava insulina ofertada pelo Posto de Saúde, tive muitas hipoglicemias e hiperglicemias, engordei por volta de nove quilos e por decisão médica, o parto foi feito aos oito meses de gestação.

A criança nasceu com três quilos e novecentos gramas e 50cm, ficou por três dias na UTI e graças a Deus, tudo ficou bem. Engravidei pela segunda vez, mas infelizmente aos quatro meses de gestação tive um aborto espontâneo ocasionado por uma parada cardíaca do bebê em consequência do diabetes. Senti muito pela perda e decidi não ter mais filhos, mas o destino não quis assim. Engravidei novamente, só que desta vez a gestação foi rigorosamente acompanhada por um endocrinologista com muita experiência em diabetes gestacional.

Porém, apesar de todo cuidado, engordei 53kg não por excesso de alimentação, mas por retenção hídrica, causada pelas insulinas que usava em dosagens altíssimas. Meu filho nasceu com cinco quilos e 57cm – um bebezão! Precisou ficar dez dias na UTI e depois foi liberado.

Lição de vida

Esse episódio de angústia, mas amorosamente narrado por Solange nos faz perceber que o diabetes não impede que realizemos nossos sonhos, não se trata de uma doença incapacitante e que, se adotarmos medidas preventivas como o controle glicêmico  o uso de medicações adequadas prescritas pelo médico, o consumo de dieta saudável e a prática regular de atividade física poderemos trilhar o caminho da longevidade, e fazer jus às palavras de Solange: “Nunca é tarde para mudar o rumo da sua história. A escolha é sua!

 

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