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“O diabetes não é o fim do mundo, mas sim um novo mundo a ser descoberto”, conheça Ilana Brajterman

Meu dia a dia com o diabetes

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Ilana Brajterman

Há 37 anos foi feito o meu diagnóstico. Lembro que tinha apenas sete anos de vida e foi assustador para todos da família! Estava emagrecendo, urinando muito e com fome em demasia; as professoras contaram à minha mãe que eu pedia água o tempo todo. Diante disso, meus pais me levaram ao pediatra e por meio de um simples exame de urina, feito no próprio consultório médico, o martelo foi batido – estava com diabetes!

O pior não foi receber a notícia e sim ouvir a resposta do médico frente à pergunta que meus pais fizeram – Dr. quanto tempo esta doença leva para curar? O pediatra prontamente respondeu – diabetes não tem cura, mas dá para viver muito bem com ele. Nesse instante senti que o mundo desabou!

Com o passar do tempo, veio o meu amadurecimento e, com ele, mudanças importantes ocorreram na forma de pensar e agir em relação à doença. Como fiquei com diabetes mellitus tipo 1 na infância e por toda a adolescência, naquela época ainda não tínhamos internet e redes sociais, acabei me fechando em copas, ou seja, não contava a ninguém que tinha o problema, só as amigas mais íntimas tinham conhecimento e, mesmo assim, não gostava que tocassem no assunto. Com os conhecimentos que tenho hoje e com a evolução tecnológica do tratamento, gosto de informar às pessoas que diabetes não é um fardo pesado que temos de carregar para o resto da vida e sim a solução encontrada para termos uma vida mais regrada, associada a hábitos saudáveis como alimentação balanceada e atividade física regular e a partir daí, resolvi criar um blog.

Nele, mostro o meu dia a dia no convívio com a doença, o controle glicêmico obtido após a realização de atividade física e os cuidados que tenho com a alimentação ingerida. Quero acima de tudo transmitir uma vida equilibrada e sem sequelas, adquirida graças à aceitação da patologia e à conscientização de que precisamos cuidar da saúde até nosso último suspiro ou até a cura aparecer…

Tenho alguns medos e dentre eles, não dirijo automóvel por receio de ter hipoglicemia ao volante. Essa insegurança surgiu após ouvir relatos de pessoas que passaram por esse problema. Esse será meu grande desafio para 2018 –  vencer o medo!

Minha formação está embasada na fotografia e no designer gráfico. Escolhi a profissão porque defino a fotografia como arte plena, expressão, sentimento e beleza e foi no quesito expressão que resolvi focar; precisava expressar de maneira singela o dia a dia com o diabetes, mostrando que não se trata de um bicho de sete cabeças e que é preciso buscar informações sobre ele para sentir segurança e no blog e no insta: @dm1carioca, costumo divulgar os eventos que ocorrem no país.

Temos um problema crônico de descaso com a saúde no país; a corrupção desvia nosso dinheiro e mata pessoas menos favorecidas – é doloroso ver crianças e adultos morrerem de cetoacidose diabética por falta de assistência. É de encharcar o coração de tristeza ver tudo isso e se sentir impotente! Mas, apesar de tamanho caos, ainda nutro esperanças que um dia, nossa população carente será tratada de forma digna e receberá gratuitamente os insumos necessários ao tratamento adequado. Gostaria ainda de estar viva quando a cura chegar.

Para este ano iniciado, tenho dois projetos a empreender: um deles, com crianças carentes com diabetes. Para colocá-lo em prática, preciso desenhá-lo para fazer nascer. O outro, será realizado em parceria com a Sheila Vasconcellos, vice-presidente da Associação de Diabéticos da Lagoa no Rio de Janeiro (ADILA), onde neste último a fotografia vai atuar plenamente. Por enquanto, o projeto está no papel, só falta dar vida a ele.

Deixo aos leitores do Portal a sábia frase “O diabetes não é o fim do mundo, mas sim um novo mundo a ser descoberto”.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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