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O grau de melhora do controle glicêmico proporciona diminuição do risco de desenvolver qualquer tipo de complicação!

Estudo sobre Educação em Diabetes reduz índices de Hemoglobina Glicada (A1C)

Caro leitor, você sabe o que é hemoglobina glicada. Ela é uma proteína que compõe as células vermelhas do sangue (hemácias). Enquanto a hemoglobina “passeia” pelo corpo através do sangue, ela entra em contato com a glicose, que também está presente na corrente sanguínea. Às vezes, o encontro da hemoglobina com a glicose resulta em um “casamento” microscópico, resultando uma união chamada glicada ou glicosilada, que permanece no sangue durante todo o tempo de vida dos glóbulos vermelhos, que é de aproximadamente 120 dias. Após esse período, eles se degeneram e são substituídos por novas proteínas. Portanto, o teste de A1C reflete a média dos níveis glicêmicos no período de 90 a 120 dias antes do exame.

Segundo artigo publicado na Revista Patient Educ Couns, cujo link é http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26658704, e tem como título: Diabetes self-management education for adults with type 2 diabetes mellitus: a systematic review of the effect on glycemic control (Educação em autocuidado da diabetes em adultos com diabetes mellitus tipo 2: uma revisão sistemática do efeito no controle da glicemia) “na prática, os valores normais de referência vão de 4% a 6%. Níveis de HbA1C acima de 7% estão associados a um risco progressivamente maior de complicações crônicas. Por isso, o conceito atual de tratamento do diabetes define a meta inferior a 7%, de acordo com algumas sociedades médicas.

“Anemias e hemoglobinopatias (doenças secundárias às alterações da hemoglobina), insuficiência renal crônica com uremia, tratamento com aspirina, vitamina C e E, abuso de bebidas alcoólicas, aumento de triglicérides, são alguns dos fatores que podem interferir na glicação, conformação a meia vida das hemácias, levando a falsos resultados da determinação de HbA1C, para mais ou para menos”, alerta o estudo. O controle glicêmico é extremamente importante, pois é um dos mais fortes preditores da progressão e desenvolvimento das complicações micro e macrovasculares do diabetes.

Os resultados mostraram que a redução de A1C em pacientes que sofreram intervenção educativa foi de 0,74, comparado a 0,17 para os que não sofreram essa intervenção. O grau de melhora do controle glicêmico medido por A1C foi tão significativo quanto o encontrado em resposta a ação de medicamentos no tratamento de pacientes com diabetes mellitus.

O melhor momento para captar os pacientes não seria no diagnóstico e sim quando estivessem receptivos para mudar. Pensando nisso, Denise Kaplan, endocrinologista com atuação em associações, explica o que pode ser feito para que a pessoa com diabetes possa mudar a atitude diante da condição, “intervenções combinadas, individuais e em grupo, produto de qualquer profissional da saúde, desde que treinado em educação e com noções básicas de manejo comportamental.  Caso a intervenção seja individial, a pessoa tem a oportunidade de trabalhar com mais detalhe suas dificuldades específicas e no grupal, compartilhar vivências e experiências com os demais. Como o processo de aprendizagem nunca termina, essas intervenções preferencialmente são mais eficazes no formato intensivo (focando conhecimento, atitude e comportamento) seguido de formato de reforço periódico. As dificuldades específicas, principalmente relacionadas à atitude e ao comportamento, podem precisar de abordagem contínua”.

Mas para que a pessoa com diabetes se engaje a cuidar da glicemia. Dra. Denise alerta “é preciso abrir espaço para que o paciente identifique a sua dificuldade e se sinta em uma situação de confiança, respeito e apoio, favorecendo a construção de uma estratégia própria para alcançar a sua meta, com a participação da equipe de saúde, seus pares, amigos e familiares”.

“O empoderamento está fortemente relacionado com a autoeficácia: “eu quero e sei fazer; eu posso”. O ato de caminhar, por exemplo, está fundamentado em um passo após o outro. Para executar um plano, precisamos entender por que, saber como, ter um motivo para levá-lo adiante e acreditar que podemos fazer. Se o paciente nunca executou algo (automonitoração, por exemplo) ou se já tentou e não funcionou, sempre iremos encontrar algo em sua vida que ele tenha feito com sucesso – até uma receita de bolo…Isso reforça a confiança em si próprio, lembrando que, em um caminho às vezes precisamos parar para tomar fôlego, voltar atrás alguns passos ou contornar uma dificuldade, para seguirmos em direção a um objetivo”.

 

* Diabetes self-management education for adults with type 2 diabetes mellitus: A systematic review of the effect on glycemic control.

Patient Educ Couns. 2015 Nov 22. pii: S0738-3991(15)30116-6. doi: 10.1016/j.pec.2015.11.003.

Chrvala CA1, Sherr D2, Lipman RD3.

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