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O que afeta mais o cérebro: Hiperglicemia ou Hipoglicemia? Descubra aqui!

Como a glicemia afeta diretamente a atuação do cérebro?

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, examinaram os dados de mais de 2,2 milhões de dinamarqueses com mais de 50 anos e sem diagnóstico de demência, entre 2007 e 2013. Deles, 19,4% tinham diagnóstico de depressão, 9,1% de diabetes tipo 2 e 3,9% das duas condições. Ao longo do estudo, 2,4% dos indivíduos desenvolveram demência, em média aos 81 anos. Deles, 26,4% tinham depressão, 10,8% diabetes tipo 2 e 6,7% as duas condições.

A análise dos dados, publicada no Portal Veja, em abril de 2015, revela que a depressão eleva o risco de demência em 83%, o diabetes tipo 2 em 20% e as duas condições juntas em 117%. Para os autores do estudo, mais pesquisas são necessárias para descobrir os mecanismos que relacionam a demência, o diabetes tipo 2 e a depressão.

Para explicar a relação entre diabetes, depressão e demência, o Portal De Bem com a Vida entrevistou o endocrinologista Domingos Malerbi.

Portal De Bem com a Vida: O que afeta mais o cérebro: a hiperglicemia ou a hipoglicemia?

Os dois afetam. A hipoglicemia é mais dramática, pois o cérebro para de funcionar, se não houver um mínimo de glicose – algo em torno de 30mg/dl- o paciente pode entrar em coma e vir a falecer. Antes disso, com níveis abaixo de 40mg/dl, pode haver uma convulsão. Antes ainda, com níveis geralmente de 50mg/dl, a pessoa sente-se muito mal, fica confusa, fala de forma desconexa, perde a orientação, etc. O normal é que a glicemia fique 80mg/dl-90mg/dl. Outro fenômeno decorrente das hipoglicemias é quando há episódios repetidos: pode ocasionar depressão e déficit cognitivo (mau aproveitamento escolar, déficit intelectual, até mesmo quadros demenciais).
A hiperglicemia afeta mais a longo prazo: pode acarretar lesões aos vasos cerebrais, e isto também pode ocasionar quadros demenciais – além de ser fator de risco para depressão.

Portal De Bem com a Vida: Como é a relação da taxa de açúcar no sangue que tem relação direta com a demência?

No caso da hipoglicemia, isto está mais relacionado com episódios repetitivos. A não ser que tenha havido um episódio muito grave, com lesão cerebral, ao qual o paciente sobreviveu. Na hiperglicemia, a relação é com o controle a longo prazo, verificado pela taxa de Hemoglobina Glicada. O normal é até 7,0%. Níveis acima de 9%-10%, por tempo prolongado são lesivos ao cérebro (e a todo o organismo). Estes níveis de Hb Glicada correspondem a glicemias na faixa de 200mg/dl-250mg/dl.

Portal De Bem com a Vida: E como é a relação com a depressão?
A depressão tem um componente comportamental, gerado pelas frustrações e interferências originadas pelas demandas do tratamento do diabetes sobre a vida do paciente (restrições alimentares, vida social, necessidade de usar remédios caros, demandas financeiras para se tratar, limitações no mercado de trabalho, limitações afetivas, etc). Mas há eventualmente um componente orgânico, por hiperglicemia crônica ou hipoglicemias repetidas.

Portal De Bem com a Vida: Há uma diferença se a pessoa tem diabetes tipo 1 ou 2 na relação com depressão e demência?

Aparentemente (sem comprovação científica), a depressão é mais comum no tipo 1, pois as demandas do tratamento são maiores, e os quadros sem cognição mais comuns no tipo 2, que são mais sujeitos às alterações vasculares.

Portal De Bem com a Vida: Existe alguma outra forma de prevenção a não ser controlar melhor a glicemia?

Sim: controle do stress da vida de relação, da vida social, da vida laboral, etc. A prática de exercícios físicos parece também ter um papel protetor. A funcionalidade das relações familiares e afetivas também. O equilíbrio entre trabalho e lazer idem. Manter-se intelectualmente ativo está claramente associado inversamente com o desenvolvimento da demência ou dos quadros discognitivos em geral.

Portal De Bem com a Vida: Como se dá o diagnóstico da demência?
Há testes neuropsicológicos específicos. Há também recursos de exames de neuro-imagem (Ressonância Magnética, etc) e exames laboratoriais (principalmente no líquor).

Portal De Bem com a Vida: Qual é o tratamento sugerido? Há possibilidade de reverter este processo?

O tratamento depende da causa. Há casos reversíveis: quando a causa é alguma carência vitamínica (por exemplo, de vitaminas do complexo B), ou nutricional (geralmente associada ao alcoolismo), ou hormonal (distúrbios da tireoide ou das adrenais). Algumas infecções do sistema nervoso central podem cursar com quadros discognitivos, assim como alguns tumores cerebrais; nesses casos, se for possível controlar a causa, o quadro poderá ser reversível. As demências vasculares e a Doença de Alzheimer geralmente não são reversíveis; às vezes pode-se obter uma estabilização do quadro por algum tempo, com tratamentos específicos, mas o curso tende a ser progressivo. Já a depressão tem alta probabilidade de reversão com os tratamentos, que são mais eficientes que os da demência.

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