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Orientações corretas para realização de uma atividade física segura!

Tudo o que o orientador físico precisa saber sobre diabetes

Dr. Mauro Scharf*

Há uma crescente busca por uma atividade física pelas pessoas em geral e uma constante indicação do médico para que o paciente com diabetes pratique exercícios físicos regularmente. Com a finalidade de receber informações corretas sobre a prática segura e adequada do esporte, todas as pessoas e especialmente àquelas com diabetes, antes de iniciar qualquer atividade física, precisam realizar uma avaliação médica de saúde geral e cardiovascular. Os treinos devem progredir de forma gradual, sem pressa de atingir o objetivo final e aos poucos o condicionamento vai se estabelecendo.

Os cuidados do educador físico para os alunos com diabetes devem-se focar na monitorização glicêmica até que haja um entendimento mais completo do comportamento glicêmico daquele indivíduo em relação à atividade praticada.

A prescrição do treino deve sempre levar em conta a intensidade, o tipo, e a duração do exercício e a necessidade da frequência da monitorização deve nascer deste conjunto de fatores associados.

Um educador físico ao treinar um aluno com diabetes deve somar aos cuidados normais da atividade os conhecimentos específicos no sentido de prevenir a hipoglicemia. O monitoramento deverá ser individualizado, levando-se em consideração a idade, o peso, a nutrição, o tipo de diabetes e a modalidade a ser desenvolvida.

Os treinos para as pessoas com diabetes não precisam ser diferentes em relação às pessoas que não têm a doença; apenas o educador físico precisa observar o controle glicêmico e com isso, prevenir a hipoglicemia.

Não há um fator que limite a duração do treino, desde que haja preparo físico, alimentação e reposição adequadas de carboidratos durante a atividade, assim como hidratação e reposição hidroeletrolítica. As atividades de endurance são as de maior risco de desenvolvimento de hipoglicemias e dessa forma, podem requerer ajustes e redução nas doses de insulina.

Por outro lado, há casos de pessoas com diabetes tipo 1 em que a glicemia tende a subir quando as mesmas são submetidas a treinos mais intensos. A explicação para tais fatos é a seguinte: Os sprints ou tiros realizados em uma atividade mais intensa podem fazer o organismo liberar alguns hormônios contrarreguladores como o cortisol, o hormônio do crescimento, a adrenalina e a noradrenalina, todos com poder hiperglicemiante. Alguns indivíduos apresentam hiperglicemia pelo fato de estarem insulinopênicos (com falta de insulina), estado que pode acarretar a hiperglicemia.

Nestes casos, o controle glicêmico é estabelecido adequando a quantidade de insulina ao tipo e duração do exercício. O educador físico, o médico e o aluno devem em conjunto entender o efeito frequente daquela atividade sobre a glicemia e elaborar um plano personalizado para a prática da mesma.

A atividade física em pessoas com diabetes é assunto bastante discutido não só em congressos brasileiros, mas em todo o mundo. Com isso, os conhecimentos nessa área cresceram, possibilitando cada vez mais a disseminação da prática esportiva regular como uma das ferramentas mais importantes na promoção de saúde.

O ano de 2014 foi um grande marco para o incremento da prática de esportes aos indivíduos com diabetes. Em um ato generoso, contamos com o esforço conjunto de diversos médicos que elaboraram O Protocolo de Atividade Física no Diabetes, o qual encontra-se disponível no site da SBD www.diabetes.org, leitura obrigatória para os profissionais que trabalham com a prática de esportes às pessoas com diabetes.

 

*Dr. Mauro Sharf é médico endocrinologista e pediatra, com treinamento no International Diabetes Center, nos Estados Unidos. É diretor executivo do Centro de Diabetes Curitiba.

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