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De jogador da Seleção Brasileira a treinador

 Conheça o perfil de Washington CerqueiraWashington 1

Imagina uma pessoa super simples e aberta? Este é o Washington Cerqueira, de 43 anos, diagnosticado com diabetes tipo 1 há 21 anos. Quem não o conhece, ele é só o sétimo maior goleador da história do Campeonato Brasileiro e integrou a equipe da Seleção Brasileira em 2001.

Quando entrei em contato com ele, ouviu quem eu era, que pretendia fazer uma entrevista com ele e super solícito já aceitou responder as questões pelo telefone de bate pronto.

Para entender um pouco da história dele, vamos falar do seu diagnóstico de diabetes, aos 21 anos, quando estava na Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul, e após uma cirurgia no tornozelo, o médico transmitiu a feliz notícia.

Em seguida, o jogador foi transferido para o Sport Club Internacional, onde precisou passar por uma adaptação da alimentação, atividade física e regulação da quantidade de insulina no corpo. Até ele conseguir controlar seu metabolismo, primeiramente emagreceu 10 kg e com o melhor controle ganhou mais peso, devido à ação do hormônio no corpo.

Mas como será que ele fazia com relação à quantidade de insulina, nos treinos e nos jogos, enquanto era jogador? Fiquei curiosa!

Ele sempre media a glicose antes de começar os treinos e se tivesse uma hipoglicemia, ingeria um isotônico com açúcar. Durante os jogos, deixava sua glicemia mais alta para poder jogar, sem ter o risco de uma hipoglicemia.

Em 2001 foi convocado para integrar a Seleção Brasileira, foi artilheiro inclusive da Copa do Brasil e o jogador que mais marcou gols no futebol brasileiro em 2004. “O jogador está acostumado a lidar com a pressão durante os campeonatos, mas quando fui para a Seleção Brasileira, senti uma pressão mais forte, mas soube dominá-la junto com o controle das taxas de glicemia”.

“Senti uma alegria única quando fui convocado para a Seleção. Quando era garoto, meu sonho era ser jogador, eu conquistei. Quando me tornei jogador, meu sonho foi integrar a Seleção Brasileira, consegui. O diabetes nunca me limitou a nada”, adiciona o jogador.

Mas em 2002, foi transferido para o time Fenerbahçe, da Turquia, e em um dos jogos começou a sentir uma dor no peito. O exame diagnosticou uma das artérias obstruídas e fez um ceteterismo. Voltou para o Brasil, realizou outro cateterismo e foi aconselhado a parar, mas seu espírito guerreiro o fez continuar e voltou a jogar pelo Atlético.

Ele contou que um fato marcante foi quando estava em um time no Japão. Em um determinado dia, antes do almoço, aplicou a insulina e em seguida, tocou seu telefone. Ele ficou um tempo conversando com a pessoa e se esqueceu de comer. Todos os seus companheiros o ajudaram a controlar a hipoglicemia.

Quando questionado sobre a mudança de posição de jogador para treinador do Itabaiana, ele contou que o maior desafio é o psicológico, pois seu trabalho é liderar e motivar os jogadores. Mas ele avisa que não deixou de jogar futebol com seus amigos e a fazer atividades físicas.

No fim da entrevista perguntei sobre uma mensagem que quer deixar para os leitores do Portal: “o diabetes não limita em nada. É importante sempre saber controlar a glicemia e ter autoconhecimento do corpo. Também é necessário fazer todos os exames e visitar os médicos. Tirando estas medidas, saiba que você pode realizar tudo e o diabetes não vai te atrapalhar em nada”.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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