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Pessoas com diabetes são mais propensas à trombose! Aprenda a reconhecer nesta matéria!

O Diabetes e a Predisposição à Trombose

Dr. Ricardo José Gaspar*

Trombose, etimologicamente, vem da palavra trombo, que significa coágulo de sangue. Toda vez que ocorre trombose em um vaso sanguíneo, há o entupimento do mesmo, que passa a impedir a passagem do sangue, trazendo consequências diversas.

Sabe-se que existe a trombose venosa e a arterial e há uma grande diferença entre elas. Para entendê-las melhor, é necessário recordar que as artérias são os vasos, que levam o sangue do coração para as extremidades, e as veias o trazem de volta, fazendo o contrário. A trombose arterial costuma ser mais grave do que a venosa, pois impede a chegada do oxigênio às células, provocando nas mesmas o infarto com necrose (morte tecidual). A gravidade irá depender do local afetado e da extensão da trombose.

As causas mais comuns de trombose das artérias são encontradas na doença crônica obstrutiva aterosclerótica, na degeneração do envelhecimento acelerado pela hipertensão, diabetes, colesterol alto e fumo principalmente. Para este grupo de risco, check-ups periódicos com especialista vascular são fundamentais para identificação e controle dos fatores de risco ou de fatores genéticos causadores de trombose para impedir ou desacelerar a sua manifestação.

Quanto à trombose venosa, suas causas mais frequentes se enquadram em três grandes grupos: distúrbios intrínsecos da coagulação sanguínea, alterações do fluxo sanguíneo ou de algum fator que afete a parede da veia, provocando lesão ou fazendo compressão externa.

Porém, para a ocorrência das mesmas, existem fatores considerados de risco, ou seja, existem pacientes que nascem com algum problema genético de coagulação e estes costumam ser os de maior gravidade, apresentando episódios repetitivos de tromboses e por isso, necessitam tomar medicamentos anticoagulantes para o resto da vida, daí a necessidade de acompanhamento permanente de um hematologista (especialista em sangue).

No pós-parto, há uma frequência maior de trombose venosa, assim como durante o período de uso de anticoncepcionais, para mulheres que são mais suscetíveis, devido a alterações no perfil hormonal, o que traz influência no padrão de coagulação sanguínea. Outra situação pertinente refere-se aos pacientes que apresentam um câncer que produz substâncias que influenciam na coagulação do sangue (síndrome paraneoplásica).

O que não podemos deixar de mencionar é que toda e qualquer situação que dificulte ou impeça o retorno do sangue irá predispor à formação de trombos. Durante as extensas cirurgias ortopédicas como a de implante de prótese de quadril, colo de fêmur, dentre outras, é muito frequente a formação destes trombos, pois deixam os pacientes por um longo período acamados e inativos, devido a um regime de baixo fluxo sanguíneo. Atualmente, os hospitais e os serviços de cirurgia vascular apresentam protocolos de prevenção para essas pessoas sabidamente suscetíveis.

Quanto aos sintomas apresentados pela trombose venosa profunda e pela arterial, deve-se estar atento àquelas situações em que ocorra inchaço abrupto, agudo, acompanhado de dor em um dos membros (unilateral é mais comum). Este pode ser o primeiro sinal de uma trombose venosa. Nestes casos, procure avaliação vascular com urgência.

Quando os trombos ocorrem em artérias do cérebro, podem provocar o AVC (Acidente Vascular Cerebral), popularmente conhecido como “Derrame”. A palavra infarto foi consagrada com designação ao coração, devido à trombose das coronárias, artérias que irrigam o músculo deste órgão. O infarto por trombose arterial pode ocorrer também nas pernas, mais conhecido por gangrena e nos intestinos, infarto com gangrena.

A principal complicação quando afeta as veias profundas das pernas, se dá quando algum coágulo se desprender e ir se alojar no pulmão, levando à embolia pulmonar. O tratamento das tromboses é clínico com repouso absoluto e administração de drogas anticoagulantes.

Pessoas com diabetes são mais propensas à trombose, pois esta doença a médio e longo prazo provoca alterações inflamatórias crônicas na microcirculação (microangiopatia diabética), que resultam em obstruções dos capilares, que irrigam os grandes vasos, fragilizando suas paredes, diminuindo a capacidade de produção de substâncias antitrombogênicas. Nas artérias, acelera o processo de degeneração natural crônica aterosclerótica e, além disso, o diabetes provoca alterações metabólicas, que aumentam os fatores intrínsecos trombogênicos do sangue.

Seria importante concluir este artigo deixando um alerta aos leitores: Em qualquer situação de inchaço, esfriamento ou arroxeamento e alterações de sensibilidade de caráter súbito, agudo, dos membros (principalmente unilateral), procurar imediatamente um especialista ou pronto socorro.

*Dr. Ricardo José Gaspar – com Mestrado e Doutorado pela Unifesp é médico especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular da qual é membro titular. Atualmente, é Chefe de Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital São Camilo Pompéia e Diretor do Instituto Vascular Ricardo Gaspar: www.vascular.med.br

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