Rockabillity

rockabilly

Dance garota, dance…
*Thais Pineda Fungaro

Quem nunca ouviu alguém persistir na ideia de como a dança é boa para o ser humano? Seja em uma roda de amigos ou em uma reunião de família, tem sempre aquela pessoa que tenta convencer todo mundo de que dançar é um ótimo exercício, se não o melhor, para o corpo e a mente. Eu entrei no mundo da dança ainda muito nova, com apenas quatro anos, comecei a fazer balé, mas foi preciso alguns anos, mudanças em minha vida e a passagem por vários estilos de dança, ou mesmo de outras modalidades de atividade física, para dizer que hoje eu amo a dança. Foi no rockabilly, um ritmo composto por rock dos anos 50 e 60 e com bastante influência country americana, no estilo de Elvis Presley e Chuck Berry, que eu encontrei essa vontade de me gabar que a dança é o melhor exercício.

Dançar também é divertido. Para mim, o rockabilly, atualmente, propicia esquecer meus problemas em meio a esta vida corrida que levamos. É quando eu me entrego somente à dança, como se naquele momento meu mundo fosse só aquele. E eu concordo totalmente com quem diz que é um exercício para corpo e mente. O corpo porque faz com que você se sinta leve, melhora a disposição, condicionamento físico entre outros benefícios, a mente porque você aprende noções de equilíbrio, concentração, atenção, além da convivência com outras pessoas. Quer exercício melhor de convivência do que ter de confiar em uma pessoa que você nunca viu para conduzi-la em uma dança? Ou ainda o contrário, conduzir alguém que você nunca viu? A intensa interação com o parceiro é uma parte importante que soma mais pontos positivos para o rockabilly. Afinal, é como dizem: a melhor forma de aprender a dançar é com quem está aprendendo. Após alguns meses de contato frequente com o estilo, eu tive a certeza de que queria aprender mais sobre ele e passei a fazer aulas de rockabilly.

Sou suspeita para falar, pois hoje devo à dança muitas mudanças positivas que aconteceram em minha vida. Eu descobri o diabetes há quase cinco anos, quando tinha por volta de meus quinze anos. Como toda adolescente eu queria sair, dançar, viajar, e por alguns meses, após o diagnóstico, acreditava que eu era diferente e que eu não poderia. Acabei me afastando de muitos amigos e deixando de participar de vários passeios pelo receio que eu tinha de como as pessoas me julgariam, por conta do controle da alimentação e da glicemia, além da aplicação de doses de insulina. Só a partir do momento que comecei a ver que o importante não era como elas me julgavam, mas como eu me julgava, passei a aceitar que ninguém é diferente de ninguém, que o excesso de açúcar faz mal para mim, assim como o sal ou qualquer outra coisa em excesso faz mal, e não só para mim, mas para todo mundo. Quando tomei conhecimento disso e me conscientizei, passei a viver muito melhor. Foi aí que dei uma nova chance para a dança e vi que me cuidando eu poderia dançar e sair, assim como todo mundo.

Com as aulas de dança, tive de ter um controle ainda mais rigoroso da minha glicemia. Sempre carregando o monitor passei a controlá-la antes da atividade, durante e depois. São cuidados essenciais que procuro seguir à risca e que foram muito importantes quando eu ainda estava no período de adaptação, sujeita à diminuição de doses, tanto de insulina rápida, quanto de insulina lenta. Faço aula apenas uma vez por semana e, além da aula, procuro treinar aos finais de semana. Tenho praticado rockabilly de duas a três vezes por semana e isto tem sido suficiente para que, com um bom controle, eu não precise aumentar a dose de insulina à noite nos dias em que não pratico atividade. Assim, consigo manter a mesma dose de insulina basal (Lantus) mesmo nos dias em que não faço atividade física. Este acontecimento foi uma das surpresas para mim. Sempre pratiquei algum tipo de atividade física, mas mesmo assim as doses eram variáveis tanto nos dias que eu tinha aula quanto nos dias que eu não tinha.

Por falar em me cuidar, depois que comecei a fazer as aulas de dança, senti também melhora na minha disposição, no meu humor e percebi uma diminuição da ansiedade. Assim, além de um melhor controle glicêmico, acredito que estes são mais alguns itens que posso acrescentar à minha lista do porquê as pessoas deveriam tentar a dança. Dançar me dá mais prazer e isto me motiva a continuar. E é algo que eu não pretendo parar tão cedo.

*Thais Pineda Fungaro, estudante de nutrição, com diabetes há cinco anos e apaixonada por rockabilly há quase um ano.

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