Rugbi

Rúgbi proporcionou muitos benefícios na vida de Ana Caroline Ribeiro. Confira!

RugbiA cena parece fazer parte de uma guerra. Vários homens amontoados em cima de um participante que segura uma bola oval. Este cenário é corriqueiro na prática do rugby. A maioria das pessoas que assistem a uma partida têm a sensação de ser um esporte muito bruto, violento e só direcionado para homens fortes, mas há exemplares de representantes do público feminino que o praticam.

Em Teresina, no Piauí, Ana Caroline Borges Ventura Ribeiro, estudante de direito e estagiária de um escritório de advocacia, com 23 anos, e 11 deles com diabetes tipo 1, apaixonou-se pelo rugbi há mais de cinco anos. “Sempre pratiquei esportes, principalmente depois que descobri o diabetes, dentre eles judô, natação, balé, capoeira, e durante muito tempo o handebol. Certo dia, um antigo companheiro das quadras de handebol me convidou para conhecer um esporte diferente. Também pediu para chamar algumas meninas, pois ele queria formar um time de rugby feminino da cidade”.

“No começo, a maioria dos treinos era exclusivamente com os rapazes, às vezes até apareciam algumas meninas, mas elas sempre acabavam desistindo, e confesso que isso me deixou mais apaixonada ainda pelo esporte, pois treinar com homens acabava dando mais emoção aos jogos (mesmo com os machucados, que também não eram poucos). Hoje em dia aqui em Teresina, este esporte está bem desenvolvido, inclusive o meu time feminino, que tem disputado campeonatos por todo o Brasil. Quando a gente conhece esta prática realmente, vê que não é um esporte apenas de contato, ou de loucos como muitos dizem, mas de respeito, de família e de pura entrega. É isso que tem me prendido aos campos de rugby”, confessa Caroline.

Esta prática oferece inúmeras vantagens para seus praticantes. Melhora os sistemas cardiovascular e cardiorrespiratório, aumenta a força dos membros inferiores e potência dos membros superiores, desenvolve a musculatura profunda e aumenta a coordenação motora. Além disso, eleva a auto-estima e traz benefícios ao sono.

“O rugby proporcionou um pleno amor pela atividade física, sem ser feita apenas pela obrigação de cuidar do diabetes. Entro em campo pelo amor, e é estimulador, pois pratico com pessoas que realmente cuidam da sua saúde, mesmo não tendo diabetes. Este fator acaba incentivando o cuidado com o nosso próprio corpo. Quando saio de um treino, sinto-me acabada e ao mesmo tempo tenho prazer. A prática traz além do bem estar espiritual, o bem estar físico. Às vezes tenho até medo de ter hipoglicemia de tão intenso que o esporte é, mas é só tomar cuidado, que dá pra manter a taxa controlada”, detalha a estudante de direito.

“Todos em campo sabem que tenho diabetes. Sempre meço a glicemia antes de treinar. Não gosto de começar com ela acima de 100mg/dl. Então, às vezes aplico uma ou duas unidade da Humalog. No meio do treino sempre paro para comer alguma fruta, e às vezes, quando abaixa um pouco mais a glicemia, como algum docinho que sempre carrego comigo. Quando vou embora, meço novamente para não ter risco de ela baixar demais enquanto estiver dirigindo”, relata Caroline.

A praticante tem três treinos por semana, com duração de 2 horas cada um, na Associação Banco do Brasil e na Universidade Federal do Piauí. “Quando vou treinar, sempre levo comigo insulina ultrarrápida, aparelho de glicemia, frutas, água e algum docinho pra caso de hipoglicemia. Também me preparo com as roupas adequadas que incluem camisa, short, chuteira e protetor bucal, pois é grande o risco dos participantes se machucarem. É um esporte de contato e temos o risco de nos machucarmos”, confessa a estudante.

“Hoje em dia meu foco é minha carreira na área jurídica, o plano para o rugby na minha vida é continuar treinando e ajudando meu time a crescer no que for preciso. Este esporte  mudou verdadeiramente a minha vida, em relação à saúde e à minha personalidade, pois me ensinou o equilíbrio e a aceitação, e me mostrou que uma guerra nunca se vence sozinha, que sempre deve haver cooperação e vontade de lutar, respeito aos companheiros de time e aos adversários, humildade e lealdade! Aprendi que este esporte tem lugar para todos, independentemente de sexo, raça e tipo físico”, esclarece Caroline.

“E muito do que aprendi em campo, levo para minha vida, como respeito, equilíbrio, ponderação. Tudo isso eu também uso para o diabetes, afinal para um bom controle, temos de andar de mãos dadas com ela, só assim podemos ter uma vida saudável e realmente feliz”, acrescenta Caroline.

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