Rugby

Rugby – um esporte de “brutos” jogado por cavalheiros

RugbyO rugby é um esporte coletivo originário da Inglaterra de intenso contato físico. Uma lenda bem difundida diz que o desporto surgiu de uma jogada irregular do futebol, na qual o jogador inglês William Webb Ellis teria pego a bola do jogo com as mãos e seguido com ela até a linha de fundo adversária, em 1823.

As primeiras ideias de um campeonato mundial de rugby surgiram no século XIX. Por muito tempo, porém, por conta da baixa difusão global em alto nível da modalidade, os participantes se limitaram às seleções da Áustria, Grã-Bretanha, Nova Zelândia e França.

Apesar de ser um esporte de contato, também carrega muitos ensinamentos de valores e respeito entre os companheiros, adversários, arbitragem e torcedores. Costuma-se dizer que o rugby possui cinco valores principais: a integridade, o respeito, a solidariedade, a paixão e a disciplina. Sem dúvida, essa modalidade esportiva desperta paixão a quem a pratica. Exemplo disso, encontramos de sobra em dois atletas da seleção brasileira de rugby- Bruno Reginatti e Pedro Di Pilla, ambos com diabetes tipo 1 e residentes no Rio Grande do Sul.

Bruno Reginatti, 26 anos, engenheiro ambiental, aluno do curso de mestrado em recursos hídricos e saneamento ambiental na UFRGS assim relata “desde um ano e meio de vida tenho diabetes e nestes 25 anos passados, tenho profunda gratidão aos ensinamentos transmitidos pelo Instituto da Criança com Diabetes (ICD), onde pude aprender a me tratar e encontrei apoio para superar os desafios relacionados à doença. Ao longo dos anos, aprendi também que o diabetes quando bem cuidado é um desafio bem menor que outros tantos que possam surgir na vida das pessoas”.

O diabetes nunca se tornou empecilho para a prática de esportes, onde Bruno sempre esteve envolvido. “Comecei a treinar rugby em 2003, motivado por curiosidade, pelo aspecto físico que os jogadores apresentavam; eram fortes, velozes, resistentes e habilidosos e isso despertou em mim um grande desafio a ser testado e vencido”.

“Considero meu clube, o Charrua Rugby Clube, minha segunda família e credito a ele tudo o que sei sobre o esporte. Treino de segunda a quinta duas horas por dia e tomo todas as precauções necessárias para evitar incidentes. Nos treinos, começo uma hora antes estabilizando a glicemia, após o lanche pré-treino. Nesse período, faço três testes e preparo dois litros de maltodextrina para que possa ingeri-lo durante os exercícios para evitar a hipoglicemia”, explica Bruno.

O seu “namoro” com a seleção brasileira é recente. Em dezembro de 2014 foi convocado para realizar testes e o resultado foi satisfatório. Em fevereiro de 2015 repetiu os testes e recebeu imediatamente a primeira convocação para participar dos jogos, em março, na Argentina.

A Copa do Mundo de Rugby é o principal evento entre seleções. Disputada a cada quatro anos, desde 1987, trata-se do terceiro evento desportivo mais visto no planeta (atrás apenas da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos). Sabendo de tal importância, Bruno tem grandes aspirações. “Como atleta, pretendo melhorar muito minhaperformancepara ser útil na conquista do meu maior objetivo que é levar o rugby brasileiro à Copa do Mundo em 2019″.

No campo pessoal, ele admite que ainda tem muitos sonhos a realizar e um deles seria “concluir o mestrado e ser útil ao meu país trabalhando pelo saneamento, manejo e conservação dos recursos hídricos, tão carente e, ao mesmo tempo, tão pouco valorizado pela falta de oportunidades profissionais que apresenta”.

Pedro Di Pilla

“O pai de um amigo que morava no mesmo prédio é francês e brincava com seus filhos na área comum do condomínio. Um dia, fui convidado para juntar-me a eles, onde treinávamos no parquinho do edifício. Com o passar do tempo, comecei a treinar no Colégio Liceu Pasteur, onde a minha categoria atua até o momento”. Esse é o depoimento do atleta da seleção brasileira desde 2011, na seleção juvenil e desde 2013, pratica na categoria a adulta. Pedro Di Pilla, 20 anos, há seis com diabetes tipo 1. Experiente em jogos pela seleção brasileira, o jogador venceu o sul americano b juvenil em 2012 e no ano passado conquistou o 3º lugar no sul americano adulto.

Como todo atleta, tem um grande desafio a trilhar – “Quero ser campeão brasileiro e chegar a uma Copa do Mundo. Seria a realização de um grande sonho atuar fora do país para aprimorar meu desempenho no rugby brasileiro”.

Viva o Rugby!  E viva Charles Miller, pai do rugby brasileiro!

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