Home / Como lidar com o Diabetes / Sabotagens promovem aumento do risco de complicações agudas e crônicas

Sabotagens promovem aumento do risco de complicações agudas e crônicas

SabotagensTer o controle da glicemia em todos os momentos da vida é um desafio que precisa ser vencido pelas pessoas com diabetes. Mas há fases que damos atenção a outros problemas, que precisam ser resolvidos, e deixamos de lado o controle das taxas de glicemia tão afinado com as metas estabelecidas, o que é relevado por muitos médicos, que sabem que o tratamento continua sendo feito, mas que em pouco tempo o controle voltará a ser alinhado. Mas há pessoas que em determinados períodos não se sentem motivadas a controlar a condição e muitas vezes se autossabotam. Neste caso em especial, por que esta situação ocorre?

“Acho que as sabotagens acontecem por medo de repreensão, dificuldade em manter um tratamento crônico e até mesmo lidar com resultados ruins. Acredito que o mais importante e efetivo para evitarmos essas sabotagens, é deixar claro para o paciente, que nós (médicos, pais, cuidadores) temos a intenção de auxiliá-los e não puni-los”, relata Dra. Denise Ludovico, endocrinologista.

Para exemplificar, um estudo publicado em 2010, abrangendo 6.671 pacientes brasileiros, distribuídos em mais de uma dezena de centros de atenção ao diabetes, mostrou que apenas 10,4% dos pacientes com diabetes tipo 1 (DM1) e 26,8% com diabetes tipo 2 (DM2) apresentam um controle glicêmico adequado, caracterizado por um nível de hemoglobina glicada (A1C) igual ou menor que 7%.

Há variados tipos de sabotagem exercidos pelas pessoas com diabetes, entre elas, é aplicar doses extras de insulina para provocar uma hipo e poder comer doce. “Os adolescentes fazem esse tipo de sabotagem, mas há adultos que também se utilizam desse mecanismo. O risco vai desde ter uma hipoglicemia grave, em que a própria pessoa não consegue se tratar, até impedir um bom controle glicêmico. Lembrar que o ideal no momento da hipo é consumir carboidratos de rápida absorção e evitar chocolates, doces que, contenham gordura. Eles podem ser consumidos em outro momento, dentro de um plano alimentar saudável”, alerta Dra. Denise.

Outra sabotagem é burlar os testes de glicemia e levar resultados dos testes escritos à mão e com taxas aceitáveis. “Geralmente a pessoa tem medo de ser repreendida por não ter boas glicemias, no caso de adolescentes, eles podem sofrer punições quando as taxas não estão adequadas (deixar de ir a um passeio, castigos). Às vezes, acontece de a glicemia ser “encarada” como uma nota da escola (em que o resultado depende muito do esforço próprio) e se não forem boas, a criança ou adolescente podem ser punidos (por não terem se “esforçado”). Sabemos que, sobre controle glicêmico, nem sempre podemos controlar todos os fatores que o interferem. Pode não ser culpa da pessoa! Mas tudo isso deve ser avaliado caso a caso”, destaca a endocrinologista.

Para tentar diagnosticar esta sabotagem, Dra. Denise relata “às vezes, é possível identificar esse artifício utilizado já na consulta, de acordo com a forma de anotar, do conhecimento que se tem do paciente, mas realmente o resultado da hemoglobina glicada ajuda bastante”.

Outra prática comum utilizada é comer escondido. “Outra forma de sabotagem é praticada pelas pessoas que utilizam a terapia de infusão contínua de insulina, chamada de bomba de insulina. Muitas vezes o paciente aplica a insulina em excesso ou a omite, informar uma glicemia, que não é a real para a bomba, não segue os passos para preparação da bomba e colocação do cateter. Deixar a glicemia alta para evitar uma hipoglicemia também é uma sabotagem, “uma vez que esse comportamento impede que se tenha um bom controle glicêmico. Sempre que buscamos uma glicemia controlada é por meio de um tratamento intensivo (aplicação de insulina basal e bolus nas refeições), corremos o risco de termos hipoglicemias. Este risco pode ser relativamente controlado quanto mais o paciente se conhece, faz a monitorização glicêmica e discute essas informações com o médico”.

Por isso, Dra. Denise ressalta “tentarmos entender cada momento em que os pacientes estão passando, uma vez que a vida está em constante mudança e precisamos adaptar o tratamento a eles. O risco dessas sabotagens é o de não atingir um controle glicêmico adequado, o que aumenta o risco de complicações crônicas e mesmo agudas (hipoglicemia, hiperglicemia ou cetoacidose)”.

Dessa forma, uma conversa honesta e sincera com o médico pode ajudar a ultrapassar os obstáculos e chegar a um controle adequado da glicemia, o que vai refletir em uma vida mais saudável e prolongada, sem complicação.

Comentários

Deixe Seu Comentário

comentários

Veja também

juntos

Roche Diabetes Care promove o Programa Juntos & Conectados em Sorocaba

A Roche Diabetes Care criou O Programa de Educação Continuada Juntos & Conectados para levar ...