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Tudo que você precisa saber sobre veganismo

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Diante de tantas tendências nutricionais oferecidas aos consumidores, resolvemos entrevistar o Dr. Ricardo Fernando Arrais, Professor Associado do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN -; Coordenador da Unidade de Endocrinologia Pediátrica e da Residência, Especialização e Aperfeiçoamento em Endocrinologia Pediátrica, para esclarecer as mais recorrentes dúvidas sobre o veganismo.
Confira aqui a entrevista na íntegra:

DBCV: Geralmente o vegano consome mais carboidratos em suas refeições. Ele não tende a engordar?
Dr. RFA: Sim, realmente se não houver um equilíbrio entre os nutrientes, ao remover todos os alimentos de origem animal (carnes, laticínios, ovos), pode haver um predomínio de carboidratos. O que se vê na prática é que as pessoas que adotam o veganismo são bem informadas, buscando auxílio entre os já iniciados e com suporte nutricional; são pessoas que têm a noção da importância da atividade física, sono adequado, ou seja, estilo de vida saudável e, por isso, não é comum encontrar veganos obesos. Não conheço levantamentos científicos ou epidemiológicos, que caracterizem os adeptos como propensos à obesidade.

DBCV: O estudo publicado na revista cientifica Nutrients e replicado na revista Saúde da editora Abril com o título de Veganismo Reduz o Risco de Diabetes mostrou o contrário. Seria possível comentá-lo?
Dr. RFA: Uma dieta rica em vegetais (frutas, legumes, verduras, cereais) certamente tem efeito benéfico sobre indivíduos propensos ao excesso de peso, pois como contém fibras, que favorecem a saciedade sem adicionar calorias em excesso, devem melhorar a sensibilidade à insulina. Além disso, associar a dieta a hábitos de vida saudáveis como reduzir o sedentarismo e melhorar o padrão de sono são condutas imprescindíveis para uma melhora na qualidade de vida. Achei oportuno o comentário do estudo, que enfatiza que o importante não é eliminar totalmente a proteína animal, mas sim balancear mais a dieta.

Para conferir o estudo, clique aqui.

DBCV: As carnes são necessárias na nossa alimentação?

Dr. RFA: As carnes (vermelha, aves, peixes) ou inclusive as fontes não tradicionais para nós, ocidentais, como insetos, largamente consumidos em partes da África e Ásia, são nutrientes importantes, porque somos biologicamente onívoros, ou seja, preparados para digerir e aproveitar as proteínas animais; temos enzimas digestivas específicas como a pepsina, tripsina, quimotripsina e lipases responsáveis por essa função, “provando” que nossa evolução incorporou tais nutrientes em nossa dieta. Também é fato que veganos estritos precisam de suplementação vitamínica ou pelo menos monitorização periódica para vitamina B12 que, inclusive, foi suplementada para os participantes do estudo, dentre outros elementos como ferro e zinco, melhor absorvidos em dietas com proteína animal. O fato é que não somos herbívoros. Hoje, o veganismo usa os argumentos, considerados válidos, que o modelo de exploração da pecuária e criação de animais para consumo humano é extremamente agressivo ao meio ambiente e degradante para os animais, fora o risco de contaminação pelo uso de antibióticos e produtos destinados a aumentar a “produtividade” deles. Acho bem saudável avaliarmos e considerarmos o uso racional e mais respeitoso de nossas fontes de proteína animal, inclusive encontrarmos formas não habituais como insetos e perseguirmos a sustentabilidade a médio e longo prazo.

DBCV: Como as pessoas podem reverter a resistência à insulina?

Dr. RFA: A melhor saída é a mais simples, ou seja, melhorando a atividade física, saindo do sedentarismo tão presente em nossas vidas automatizadas. Temos também de melhorar nossa rotina de sono, um potente regulador metabólico. Os estudos mostram a clara associação da diminuição do tempo de sono com os aumentos: de peso, da resistência insulínica, da pressão arterial e até de distúrbios psiquiátricos como depressão. Com a reeducação alimentar, estas medidas associadas sempre dão bons resultados se mantidas a médio e longo prazo. Nos casos onde esta resistência insulínica é mais evidente, certamente será necessária a prescrição de medicamentos que aumentem a sensibilidade à insulina, como a metformina.

Finalizando a nossa entrevista, o Dr. Ricardo Fernando Arrais fez questão de deixar a seguinte mensagem aos leitores.

“Creio que a chave para uma boa saúde reside no bom senso, equilíbrio e busca de modo de vida saudável. Temos de ter discernimento para que possamos racionalmente ir contra as “exigências da vida moderna”, que hoje se constitui em um “ambiente tóxico”, que diminui oportunidades para atividades físicas, explora nosso impulso básico para compensar o estresse com a oferta de alimentos não saudáveis, automatizando cada vez mais nossas atividades e tornando nosso modo de vida cada vez menos saudável”, conclui Doutor Ricardo.

 

Veja também: 

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Como podemos reverter a resistência de algumas pessoas ao uso da insulina?

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