Ultramaratona

Ultramaratona 135 – relato de Emerson Bisan

UltramaratonaImagine um Super Herói real? Na cabeça de muitas pessoas com diabetes vem o nome de Emerson Bisan. Ele é educador físico, pai de duas meninas, trabalha muito e para finalizar, tem superpoderes, que possibilitam driblar qualquer impedimento do diabetes e se superar a cada prova. Desta vez foi a Brazil 135, a ultramaratona mais difícil do Brasil. A prova surgiu a partir de outra competição, realizada no deserto do Vale da Morte na Califórnia chamada “Bad Water” com 135 milhas de distância (217Km). Sua maior dificuldade é a temperatura que pode chegar a 50ºC com baixa umidade relativa do ar.

No Brasil, o grau de dificuldade é dado pela variação altimétrica (subidas e descidas), somando as subidas a 10.000 m, ou seja, este grau de dificuldade é praticamente o mesmo comparado à subida do Monte Everest.  A prova acontece no Sul de Minas Gerais, seguindo o “Caminho da Fé”, o percurso de peregrinos demarcado por setas amarelas e que cruzam as difíceis montanhas da Serra da Mantiqueira com umidade altíssima no calor do mês de Janeiro. Para participar deste desafio, somente 100 participantes nas categorias Solo (individual) são escolhidos, devido a seus currículos, ou seja, por terem vivenciado outras provas de ultradistância com esta.

Este ano, a prova sofreu uma alteração e passou a ter o percurso de 281 km. Além do educador físico, participaram mais três corredores com diabetes, Marcelo Bellon, Alexei Angelo Caio e Flavio Doce Aguiar, além de terem o apoio do endocrinologista Edson Perrotti, que também possui diabetes tipo 1. Eles se revezaram a cada cinco ou 16 quilômetros. Emerson percorreu ao todo 90 km em dois dias.

O educador físico relata o que sentiu antes, durante e depois da prova. “Ansiedade, dias antes do trajeto, embora foi minha 7ª participação. Também senti a tensão pré-largada, e no momento do tiro da própria largada. Durante a prova vieram os esgotamentos físico e mental de estar há três dias sem dormir direito, tomar banho, fazer uma refeição quente e sentado. Isso vai mexendo até com o relacionamento da equipe, deixando a paciência e os nervos à flor da pele. Até o momento de emoção  da equipe ao cruzar a linha de chegada junta e mostrar pra todo mundo que com todos os cuidados e organização do nosso tratamento, podemos vencer qualquer desafio”.

Para lidar com o diabetes, Emerson explica, “devido à nossa experiência em provas desse tipo, já sabemos o quanto de insulina devemos tomar, já que passamos quase dois dias correndo direto, e sabemos como precisaríamos controlar literalmente na ponta dos dedos a glicemia. Com a ajuda de um monitor contínuo de glicemia, registramos o comportamento glicêmico durante toda a prova gravado e enviado através de um  minilink em um equipamento para estudo de comportamento glicêmico e, assim, cruzamos com os exames de ponta de dedo realizados a cada hora e meia durante as 42hs de prova, além da ingestão de alimentos de forma equilibrada e controlada de carboidrato para nunca faltar energia”.

O educador físico relatou que não ocorreu hipo severa sintomática ou significativa que impedisse o transcorrer da prova. Mas o tempo todo, ele portava mel, gel de carboidrato esportivo, açúcar, bananinha açucarada, coca cola, jujuba, paçoca e rapadura.

Por isso, Emerson deixa sua mensagem que continua a inspirar as pessoas a viverem, mesmo que sejam seres humanos sem super poderes, “com controle glicêmico, podemos atingir qualquer feito seja ele físico, mental e até profissional. Depois desta prova, conseguimos mais uma vez servir de inspiração para todas as pessoas com diabetes, principalmente as recém-diagnosticadas, que muitas vezes têm a sensação de não ter a possibilidade de realizar atividades, que faziam antes do diagnóstico, ou acham que se tornam impossibilitadas de atingir suas metas por ter diabetes e não sonham mais para se manter controladas e ativas”.

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