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Um novo mundo depois do Diabetes

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Aos dezenove dias do mês de fevereiro de 2008, nasceu a minha princesa, a Ana Luisa, uma doce criatura que trouxe muita alegria para a minha vida!

Tudo caminhava bem, até que um dia a Aninha começou a beber água demais e a urinar com muita frequência e além disso, apresentar um cansaço extremo. Foi difícil ouvir o diagnóstico, mas ela tinha diabetes tipo 1, faltando apenas uma semana para completar seis anos de vida!

Após seis meses de diagnóstico, mesmo fazendo contagem de carboidratos, a oscilação glicêmica se tornou constante. Hipoglicemia seguida por hiperglicemia tornou impraticável o uso da caneta, para se ter uma ideia, variava de 50mg/dl até 300mg/dl e isso nos deixou com medo do que pudesse acontecer. Então, tomamos uma providência mais do que necessária, optamos pelo uso da bomba de infusão de insulina. E assim tem sido há quatro anos.

Os benefícios proporcionados pelo uso do equipamento são inúmeros, mas posso apontar os principais: melhora na qualidade de vida proporcionada pela maior liberdade, melhor controle, poder desfrutar com responsabilidade dos alimentos com menor restrição e acima de tudo, proporcionar à criança uma vida normal, como qualquer outra, não tem preço!

A rotina depois do diagnóstico

No ambiente escolar, minha filha age com naturalidade, tanto que, se algum colega perguntar algo sobre diabetes, ela faz questão de explicar e tirar as possíveis dúvidas.

Ainda lembro que, após o diagnóstico, um mundo novo e complexo se apresentou à família. Canetas, agulhas, lancetas, glicosímetros, insulinas, hiper, hipo, contagem de carboidratos, Ufa! Isso tudo fez com que eu saísse do meu mundo de adulto e de pai para me tornar companheiro, amigo e sempre muito presente no seu dia a dia, para ajudar a enfrentar os seus medos de picadas de agulhas e auxiliar em tudo o que fosse possível. Confesso que ficamos bem mais próximos!

Hoje, ela consegue fazer tudo sozinha, mas pelo fato de seus 10 anos, procuramos deixar as responsabilidades ao seu tempo. Se for preciso, troca os insumos; chegou a fazer um vídeo ensinando como se faz. Além disso, ela mede a glicemia, faz a contagem de carboidratos dos alimentos e ajusta as correções.

Sensibilizados pelo descaso com que as autoridades tratam a saúde em nosso país e cientes de que os órgãos públicos simplesmente não dão a devida atenção às pessoas com diabetes, André Fabrício, Luzia de Cássia e eu, decidimos fundar uma Associação com a finalidade de ter força e legitimidade para cobrar dos devidos órgãos a regularidade da oferta dos insumos e atendimento mais humano aos indivíduos com a doença. E assim, surgiu a AMAD – Associação Metropolitana de Atenção ao Diabético que, ajuda as pessoas com cursos, palestras, reuniões, ações de conscientização e cobrando por meio das leis, que auxiliem a vida das pessoas que têm diabetes. Além disso, a AMAD auxilia as famílias dos recém-diagnosticados, proporcionando informações para ampliar o conhecimento sobre a patologia, ajudando dessa forma, no tratamento. Essas medidas adotadas visam preencher o espaço vazio deixado pela burocracia e pela falta de investimento na saúde.

Minha filha Ana Luísa fez questão de deixar uma mensagem aos leitores do Portal De Bem Com a Vida, mensagem esta de quem vive bem, com qualidade própria de uma menina de 10 anos e que mesmo com gripes, hormônios responsáveis pelo seu desenvolvimento, brincadeiras, festas e tantas outras coisas do dia a dia, ela controla o diabetes e não o contrário. “O diabetes nunca impediu que eu fizesse coisas que gostasse. Para isso, cuido da alimentação e controlo a glicemia, seguindo as orientações médicas”, explica Ana Luísa.

“No entanto, a terapêutica que promove essa qualidade de vida ainda é muito cara e, por isso, dependemos de políticas públicas eficientes para que todos tenham a mesma oportunidade. E esse é o objetivo da AMAD, união pela mesma causa. Tenho certeza que, juntos, conquistaremos resultados bem positivos. Acredito nessa força mútua, onde ajudando uns aos outros, superaremos todos os obstáculos que, porventura, possam aparecer”, declara André Fabrício.

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