Home / Consumidores / Entendendo o Diabetes / Uma pessoa com diabetes pode ser militar sim! Conheça a história de Tássia Henriques de Morais Camargos!

Uma pessoa com diabetes pode ser militar sim! Conheça a história de Tássia Henriques de Morais Camargos!

O impossível não existe!

Tássia Camargos

Meu nome é Tássia Henriques de Morais Camargos. Tenho 32 anos, há 13 diagnosticada com diabetes mellitus tipo 1, sou militar, “aspirante” à Tenente do Exército Brasileiro desde fevereiro de 2018. Em agosto, em razão de promoção, viro Tenente.

Tassia

Sempre encontro pessoas que me perguntam como cheguei a abraçar essa profissão?

Na verdade, recebi influência do Caio, meu cunhado que pertence a uma família de militares. Sendo bem sincera, jamais havia imaginado algo parecido. Eu sou uma “menina da roça”, criada no interior de Minas Gerais, acostumada a ouvir que diabético não pode fazer muitas coisas.

Uso bomba de infusão de insulina há três anos; meu médico, analisando os exames e minhas variações glicêmicas ao longo do dia, decidiu que eu deveria usá-la por indicações clínicas e certo de que eu teria condições de conduzir o tratamento.

Em razão do meu mestrado em 2014 fui morar em Aracaju (Sergipe), local onde tive a oportunidade de conhecer novos tratamentos, acesso a boas informações, pessoas competentes na área e indivíduos com diabetes. Este ano foi um capítulo à parte, citar tudo o que aconteceu, tornaria esse texto imenso, mas não posso deixar de mencionar o nome de três pessoas que fizeram toda a diferença em minha vida e serei eternamente grata pelos ensinamentos e carinho por eles prestados – o Dr. Raimundo Sotero, chefe responsável pelo Centro de Diabetes de Sergipe, médico que me “adotou” como amiga e cuidou de mim juntamente com a nutricionista Cinthia Fontes e a educadora em diabetes Cristiane Silva Souza, representante da Roche, que me deu todo o treino quanto ao uso, manuseio e estilo de vida para o sucesso do tratamento por meio da bomba de infusão de insulina.

Falar dos benefícios proporcionados pelo equipamento seria redundância – são inúmeros! Literalmente sou uma nova mulher, passei a ter uma vida mais controlada, que por consequência, trouxe mais segurança a exercer a profissão que escolhi. Sem a bomba não teria conseguido completar o estágio de formação no Exército, o qual tem a duração de 45 dias, que na verdade, parecem dez anos, em razão do desgaste que passamos; somos testados no aspecto físico e psicológico, marchamos por muitas horas seguidas, comemos ração, fazemos exercícios demasiadamente extenuantes, aprendemos técnicas de sobrevivência em guerra, atiramos de fuzil e pistola, dormimos pouco e temos inúmeras instruções relacionadas à vida militar. Enfim, não é para qualquer um – é uma escolha difícil que poucos encaram. Para uma pessoa com diabetes é uma luta ainda mais pesada. Tive de manter a minha glicemia um pouco mais alta para evitar hipoglicemias severas durante os treinamentos. Isso ocorreu por indicação médica, levada em consideração o contexto.

Senti na pele muitos episódios de discriminação. No Exército foi bem difícil a adaptação em relação aos colegas. Alguns não entendiam como uma “deficiente física” pode ter passado no exame de seleção? “Há inúmeras pessoas saudáveis lá fora querendo entrar… Por que ela entrou? ” – Foi o que ouvi por lá.

Sabe o que respondi para alguns interessados? Os tempos são outros, não sou uma doente, tenho pâncreas sim! Só que ele fica pendurado em minha cintura. A Corporação é quem precisa me julgar apta, isso não compete aos que não conhecem a minha história e a minha vida!

Porém seria injusto de minha parte dizer que atualmente, exercendo minha atividade de formação- Direito, sofro algum discriminação pelos membros da Corporação ao saberem que tenho diabetes. Essa doença é comum, vários militares têm e cuidam de sua condição. Diferente não é ter diabetes e sim usar bomba de insulina. Não há na 1ª Região Militar ninguém que faça uso dessa tecnologia. Foi uma experiência nova para eles tanto quanto foi para mim. Por isso me apelidaram carinhosamente de “ciborgue”.

Trabalho na Assessoria Jurídica, cargo administrativo em sua essência e meus colegas sabem da minha condição e se apresentam sempre solícitos para me ajudar, caso necessite.

Finalizando a narrativa da minha história, gostaria de deixar uma mensagem desejando inicialmente que esta entrevista sirva de incentivo a outros jovens com diabetes. Fui uma adolescente com muitos medos relacionados à doença. Teoricamente eu não poderia ser mãe, não conseguiria praticar esportes, não poderia comer a maior parte dos alimentos e, enfim, seria um adulto incapaz. Esse foi o “desenho” de futuro que me foi entregue. Recebi e não gostei do script. Mudei de trajetória e consequentemente transformei o final da minha história. Resolvi ser mãe e acreditar em mim. E foi cuidando de mim que cheguei aonde estou. Todavia, saliento que o caminho da vitória não pode ser percorrido de olhos fechados ou sem a ajuda de anjos (amigos, médicos e familiares). Então, não se ache autossuficiente, reconheça que possui fraquezas e que elas demandam atenção. Entenda que será difícil, mas isso não o impede de tentar. O Exército não me recebeu por um ato de caridade, nem foi por meio de um programa de ajuda para incapazes. Sou militar porque tive condições de pleitear o cargo; sirvo a esta Força porque a tecnologia mudou a minha vida e me fez ser alguém “quase normal”. É difícil, mas não é impossível para quem quer. É preciso ter força, coragem e determinação!

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

More Posts - Website

Deixe Seu Comentário

comentários

Veja também

rodrigo

Hoje estou pronto para enfrentar os desafios do diabetes

Sou Rodrigo Barboza, educador físico, tenho 24 anos e há 12, diagnosticado com diabetes mellitus ...