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Cuidados prévios fazem diferença para proporcionar mais segurança aos vestibulandos

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“A rotina de quem tem diabetes em meio aos vestibulares é um pouco mais difícil, comparada a de outras pessoas. A ideia de ficar muito tempo sentado, pensando, resolvendo questões já é, por si só, incômoda. Somemos a isso o fato de que você não pode usar celular, sequer relógio, em muitos casos, é fiscalizado até quando vai ao banheiro… É um estresse muito grande! Como se já não bastasse, eu, prestando vestibular, tenho diabetes. Então, o cuidado precisa ser ainda maior. Além dos cuidados necessários que todo candidato tem com a prova – além de estudar, separar documentos, lápis, borracha, local de prova… – preciso me preocupar, também, com a glicemia!”

Este depoimento relatado por Ronaldo Wieselberg, 20 anos, 18 com diabetes, ocorreu no fim de 2011 e que culminou na sua entrada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Hoje o sonho de Ronaldo é ser endocrinologista e trabalhar com diabetes. Para chegar à faculdade, Ronaldo realizou vários vestibulares.

Guacyra Aranha, psicóloga voluntária da Associação Diabetes Brasil, comenta o que acontece antes das provas. “O vestibular é uma fase tensa representada por estresse e ansiedade. Manter a calma, buscar equilíbrio psicofísico e distribuir o tempo entre estudo, família e lazer, boa alimentação e cuidados com o corpo são boas sugestões para se preparar para essa etapa”.

Por isso, Guacyra enumera alguns cuidados, “acredito que o aluno com diabetes possa criar um plano de autocuidado. Intensificar a automonitorização, para saber como o corpo reage em situações de estresse e esforço físico/mental. Corrigir glicemias alteradas, rever medicação/doses de insulina junto com o médico endocrinologista neste período de cansaço mental, reavaliar horários de alimentação, não se esquecer de se alimentar de três em três horas e reservar um tempo para realizar atividades físicas, para facilitar o relaxamento e assimilação de leitura”.

O estudante de medicina conta um pouco o que fez antes e durante as provas, “como a prova dura várias horas e ocorre bem na hora do almoço, a última coisa que posso esquecer é a alimentação. E o mais importante, não posso pensar apenas no dia do vestibular, já que o que eu comer, no dia seguinte, também pode me afetar durante a prova. Assim, no dia anterior, presto mais atenção ao controle glicêmico e evito comer alimentos muito gordurosos ou muita proteína, já que o efeito deles na glicemia acontece algumas horas depois da ingestão! Assim, no dia da prova, acordo, faço meu teste de glicemia, e tomo um café da manhã reforçado com carboidratos mais complexos, como pães e cereais integrais. Reduzo, também, a dose de insulina basal para evitar hipoglicemia durante a prova”.

Acredito que o aluno com diabetes possa criar um plano de autocuidado. Intensificar a automonitorização, para saber como o corpo reage em situações de estresse e esforço físico/ mental.

“Ainda na manhã da prova, arrumo aminha mochila que precisa conter o cartão de confirmação, documento de identificação, lápis, borracha, apontador e caneta, monitor de glicemia, caneta de insulina rápida, sachês de glicose, água e suco, além de carboidratos complexos, como biscoitos e um refrigerante normal, para evitar hipoglicemias. Ao chegar ao local de prova, sempre aviso os fiscais sobre o fato de eu ter diabetes. Mostro a eles o monitor de glicemia, explico como funciona, e também mostro a caneta de insulina. Durante a época em que estava com a bomba de insulina, também expliquei o que era e porque não podia desligá-la”, adiciona Ronaldo.

Dessa forma, a psicóloga reitera mais algumas recomendações, “cuidados prévios podem evitar o surgimento da hipoglicemia durante a prova. No caso de uma queda na glicemia inesperada, pedimos que o aluno respire fundo, mantenha a calma e realize procedimentos de correção. Sugerimos a ingestão de carboidrato de absorção rápida”.

Assim que a realização da prova termina, Guacyra aponta algumas dicas para que os vestibulandos possam sair dos momentos de tanta tensão e estresse. “É mais que importante realizar atividades prazerosas, como passeio especial, uma viagem, um cinema, um encontro com amigos, um almoço ou jantar com a família, dormir o dia inteiro…, essas ações fazem diferença após essas ocasiões”.

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