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Você acredita em destino ou acha que tudo acontece por acaso?

Nathalia

“Penso que tudo na vida tem um motivo, uma razão para acontecer. Não temos explicação para tudo o que ocorre, mas esta afirmação nos faz parar para refletir o que somos, o que queremos e qual a finalidade de estarmos aqui. Acho que sei qual é o meu lugar no mundo… despojada de orgulho, vaidade e arrogância, tenho certeza de que trabalhando como uma formiga, tento mudar o mundo, aos poucos, nas pequenas coisas. Tento servir de exemplo às pessoas, mostrando que, apesar de tantas dificuldades que enfrento no cotidiano, nunca desisti de ir em busca dos meus sonhos e ideais. Às vezes, quebro a cara, já ouvi centenas de nãos, mas isso me fortalece!”

Essa foi a mensagem que Nathália Noschese, 22 anos, estudante de Relações Públicas, deixou aos leitores do Portal De Bem Com a Vida. A sua jornada não tem sido nada fácil; com apenas um ano de vida, começou a apresentar sinais e sintomas estranhos para um bebê dessa idade – queria tomar a mamadeira muitas vezes ao dia, repetia várias vezes as frutas que a mãe oferecia, bebia água em abundância e as fraldas precisavam ser trocadas com tanta frequência que chegaram a assustar! O diagnóstico não poderia ser outro – diabetes mellitus tipo 1.

Mas a história não para por aí. Sete anos depois, outra doença foi descoberta. Desta vez, ela tinha de conviver com a doença celíaca!

O diagnóstico

Nathália nos confessou a dificuldade em aceitar o diagnóstico, principalmente porque naquela época, era costume ir em acampamentos e passeios com os amiguinhos e se sentia desconfortável em saber que não poderia comer os lanchinhos e as refeições que eram oferecidas às crianças. Todo o seu cardápio era diferente, restritivo ao glúten.

Driblar estas duas doenças não foi tarefa das mais fáceis, mas o pior ainda estava por vir. Aos 13 anos, descobriu que estava com lúpus.“O lúpus é a condição mais difícil, porém não impossível de enfrentar. Estou ainda aprendendo a lidar com tudo isso e sei que a aceitação requer tempo”, relata Nathália.

A jovem guerreira já passou por algumas internações, mas a última delas foi muito séria. “Eu me vi à beira de ir, de desistir… mas eu estaria negando tudo o que eu acredito, e tudo o que eu quero que os outros tenham: fé, esperança e persistência! O que me manteve em pé foram as mensagens e recados maravilhosos que recebi durante todo o período que estive internada e, sem dúvida, funcionou como uma válvula propulsora para que eu continuasse lutando e não desistir”, comenta.

A volta por cima

Conviver com uma saúde frágil fez com que Nathália trabalhasse muito bem o seu emocional.

Com o tempo, ela chegou à conclusão de que temos que viver um dia de cada vez, deixando de lado o previsível, pois a vida mostra que não adianta seguir os passos 1, 2 e 3 para alcançar os objetivos. Às vezes nos deparamos com obstáculos e desvios no caminho, por isso precisamos aprender como contorná-los e aceitá-los.

Além disso, sempre teve em mente que só será feliz se fizer o outro feliz e, pensar, dessa forma,  a faz mudar o dia de alguém para melhor, conseguir fazer uma pessoa sorrir, oferecer ajuda fraterna e tantas outras ações simples que fazem diferença em nosso dia a dia.

Apesar de tão jovem, ela confessa ser avessa às comunicações digitais da nossa época, pois acredita que afasta as pessoas, gosta sim do contato pessoal e há tempos vinha pensando em rever os amigos que o diabetes aproximou. Para sua surpresa, o encontro foi marcado no Dia Nacional do Diabetes no Brasil! Como acredita que nada é por acaso, esse evento poderia ser descontraído como nos piqueniques que fazia na infância e o azul é a cor do diabetes e, portanto, o encontro foi batizado de Piquenique Azul.

O primeiro foi restrito a um número pequeno de pessoas, cerca de 30, mas já tiveram edições com mais de 600 e a cada ano, um maior número de adeptos vem surgindo. O projeto tem mudado muitas vidas!

“Quero levar o Piquenique Azul para todos os estados brasileiros, oferecendo um evento que agregue valor, dando a oportunidade às pessoas de terem acesso à Educação em Diabetes e, dessa forma, aprenderem a controlar a doença, mostrando que é possível sim ter uma vida normal e feliz! ”, declara Nathália Noschese.

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